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Com pautas difusas, ato na Paulista tenta mostrar união em torno de Flávio Bolsonaro

O pré-candidato à Presidência fez aceno a Malafaia, mencionou Tarcísio mesmo diante de ausência do governador e elogiou Nikolas Ferreira

BRASÍLIA – Com pautas desde o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) até a derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à proposta para reduzir as penas dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, o ato na avenida Paulista, em São Paulo (SP), neste domingo (1º/3), tentou mostrar união em torno da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Apesar de ungida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a pré-candidatura de Flávio enfrenta resistência de aliados, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o pastor e líder da Igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia. Os dois tinham predileção pela pré-candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), quem, para eles, seria mais competitivo contra o presidente e pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ato convocado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reuniu ao lado de Flávio na avenida Paulista o próprio Malafaia, o governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), o governador de Goiás e também pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), mas Michelle e Tarcísio, por exemplo, se ausentaram.

Apesar da ausência de Tarcísio, em agenda oficial na Alemanha, Flávio fez questão de mencioná-lo. “Quero agradecer ao meu amigo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, duas pessoas que mais representam o povo de São Paulo, que também vestiram a camisa do Brasil e que estão caminhando neste grande projeto de resgate da nossa nação”, sinalizou o senador.

Flávio também fez um aceno a Malafaia, que chegou a afirmar que sua pré-candidatura era tudo o que Lula gostaria. “Muitas vezes, as coisas não acontecem do jeito que a gente espera, mas eu acredito tanto que o que está acontecendo no Brasil é um projeto de Deus que eu quero mais uma vez pedir a sua ajuda e os seus conselhos. Você é um professor para todos nós. A sua coragem nos inspira. Vamos juntos resgatar esse Brasil”, disse, antes de abraçá-lo.

O pré-candidato ainda elogiou Caiado, potencial adversário caso o governador de Goiás viabilize a pré-candidatura dentro do PSD. “Caiado, é muita honra estar no mesmo palanque e defendendo os mesmos ideais que uma pessoa com a sua história. Isso prova que isso aqui não é ato eleitoral. Tem aqui dois pré-candidatos juntos e que não estão disputando o voto. Estamos pensando no que é melhor para o nosso país”, pontuou.

O governador de Goiás já havia feito um afago em Flávio quando discursou. Caiado disse que seus objetivos são os mesmos do que aqueles do senador, a quem se referiu como “amigo”. “Aquele que chegar lá (na Presidência), eu já disse: o primeiro ato será anistia plena, geral e irrestrita no dia 1º de janeiro de 2027”, reafirmou o pré-candidato, que ainda vive uma disputa interna com os governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), e do Paraná, Ratinho Jr. (PSD).

Flávio, por outro lado, sequer fez menção a Michelle. Horas antes do ato na avenida Paulista, o entorno da ex-primeira-dama divulgou uma carta em que Bolsonaro lhe pede para entrar na política apenas após este mês de março. O ex-presidente ainda ressaltou que, em uma campanha majoritária, “os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados”.

Coube à deputada federal Bia Kicis (PL-DF) justificar a ausência de Michelle em seu pronunciamento. “Ela só não está aqui porque fez uma cirurgia sexta-feira e está cuidando do nosso amado presidente Bolsonaro, fazendo a comida dele, cuidando da Laurinha, cuidando de tudo, mas a Michelle Bolsonaro está com todo mundo aqui. Ela também é ‘Acorda, Brasil!’”, ressaltou Bia, em alusão ao nome do ato convocado por Nikolas.

Criticado pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pela ausência de manifestações em apoio à pré-candidatura de Flávio, Nikolas fez um gesto ao senador para pôr panos quentes nas críticas. “Tirar o PT este ano não é uma responsabilidade somente de um homem – entendeu o recado, né, Flávio? Não é só responsabilidade de uma pessoa. Essa responsabilidade é de você, mãe, de você, avó. Onde estão as ‘tias do Zap?’”, brincou o deputado federal.

O pré-candidato à Presidência devolveu o afago a Nikolas, quem elogiou pela caminhada realizada entre Paracatu, Noroeste de Minas, e Brasília no último mês. “Isso tudo nos dá muito orgulho e muito mais força para continuar lutando pelo nosso país. Nikolas, muito obrigado por existir. Muito obrigado por estar lutando por esse país ombro a ombro”, afirmou Flávio, que também se referiu ao deputado federal como uma “jovem liderança”

O ato na Paulista neste domingo foi o primeiro desde que Flávio anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República. O senador se lançou quando o espólio eleitoral de Bolsonaro, já preso naquela altura após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por golpe de Estado, era disputado não só por governadores, mas internamente, dentro da própria família.

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