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Músico mineiro Felipe Bedetti apresenta disco autoral que une tradição e modernidade na MPB

Projeto lançado pelo selo Música Aos Montes chega nesta quinta (26/2) às plataformas digitais

Entre montanhas e acordes, onde a tradição ecoa como sino antigo e a contemporaneidade sopra como vento novo, o cantor, compositor e violonista mineiro Felipe Bedetti, de 26 anos, apresenta ao público o álbum que leva seu próprio nome. Nesta quinta (26/2), “Felipe Bedetti” chega às plataformas digitais como um marco de maturidade artística e afirmação identitária — um disco que olha para as raízes da música popular brasileira enquanto projeta sua sonoridade para o tempo presente.

Natural de Abre Campo, na Zona da Mata mineira, o músico _ de voz grave e com um timbre que faz lembrar um pouco o de Milton Nascimento _ , vem se firmando como uma das vozes mais consistentes da nova geração da MPB. Depois de “Solo Mineiro” e “Afluentes”, Bedetti amplia horizontes sem perder o chão: aprofunda a pesquisa estética, fortalece parcerias e transita por vertentes diversas da canção brasileira, sempre com o sotaque harmônico que remete às montanhas de Minas.

O projeto fonográfico abre caminhos com “Samba Gerais”, parceria com Ronaldo Pereira, uma reverência aos sambistas mineiros João Bosco, Geraldo Pereira e Noca da Portela. É um samba de balanço leve, alegre e elegante, costurado por riqueza harmônica e pelo brilho dos metais sob arranjo de Feldman, que ganha corpo nas gravações ao lado de Josué e Daniel de Alcantara.

Em “Cem anos de Rádio no Brasil”, composta com Lidi Satier, o artista mergulha na memória afetiva do país. A marcha-rancho celebra o centenário da radiodifusão brasileira evocando prefixos históricos e paisagens sonoras das antigas emissoras. Lidi, que divide a produção musical do disco com Bedetti, empresta à faixa uma interpretação que remete à era de ouro do rádio, em diálogo entre nostalgia e celebração.

A espiritualidade popular encontra espaço em “Breve”, parceria com Tadeu Franco. A canção revisita a tradição dos amuletos — patuás e bentinhos — e a figura das rezadeiras e benzedeiras do interior, guardiãs de saberes de cura e acolhimento. Em tempos de urbanização acelerada, Bedetti lança luz sobre ofícios que resistem nos rincões do país, preservando práticas ancestrais.

O repertório percorre ainda o bolero elegante “Depois do Adeus”, com Thales Martinez e Simone Guimarães, a canção ecológica “Cerrado”, novamente com Ronaldo Pereira, em homenagem a um dos biomas mais ricos e ameaçados do Brasil, e a contemplativa “Carta ao Brasil”, de Nelson Angelo, conduzida pelo piano expressivo de Cristiano Caldas.

A seresta dolente “Saudade” e a nostálgica “Valsa de Vila Rica”, inspirada em Ouro Preto e enriquecida pelo violão de sete cordas de Lucas Telles, reforçam o diálogo com a tradição. “A Voz, o Amor”, com Toninho Camargos, destaca-se pelos arranjos de flauta de Alexandre Andrés, enquanto o samba intimista “Pois Bem”, parceria com Thales Martinez, encerra o disco em formato voz e violão — quase um sussurro final.

Com produção musical de Lidi Satier, gravação, mixagem e masterização de Poli Brandani e lançamento pelo selo Música aos Montes, o trabalho equilibra lirismo, refinamento harmônico e organicidade instrumental. Mais que um lançamento, “Felipe Bedetti” se impõe como retrato artístico: o de um compositor que dialoga com suas raízes sem se aprisionar a elas. Entre tradição e contemporaneidade, Bedetti reafirma a vitalidade da canção mineira e inscreve seu nome no presente da música brasileira.

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