PolíticaSTFMoraes arquiva inquérito contra Zambelli por suposta coação e obstrução à Justiça

Moraes arquiva inquérito contra Zambelli por suposta coação e obstrução à Justiça

Condenada a 15 anos e 3 meses de prisão, a ex-deputada era investigada por insinuar que incitaria a interferência de autoridades estrangeiras no STF

BRASÍLIA – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes arquivou, nesta quarta-feira (18/2), o inquérito da Polícia Federal (PF) contra a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) por suposta coação e obstrução à Justiça. Condenada a 15 anos e 3 meses de prisão, a ex-deputada aguarda a extradição em Roma, Itália, onde está presa há seis meses.

Moraes determinou a abertura do inquérito após Zambelli anunciar a fuga para a Itália. Para o ministro, a ex-deputada teria admitido “incitar autoridades estrangeiras a influenciarem o direcionamento de processos judiciais” e permanecer no exterior para “impedir a execução da pena” em uma entrevista à rádio “AuriVerde” ainda em junho de 2025.

Moraes arquivou o inquérito depois de o procurador-geral da República, Paulo Gonet, considerar as evidências insuficientes para denunciar Zambelli. “Tendo o Ministério Público requerido o arquivamento no prazo legal, não cabe ação privada subsidiária, ou a título originário, sendo essa manifestação irretratável, salvo no surgimento de novas provas”, justificou o ministro.

O procurador-geral da República observou que Zambelli apenas insinuou que tentaria mobilizar estrangeiros a coagir o STF. “Os documentos periciais não revelaram concreto conluio com agentes estrangeiros ou nacionais, tampouco ações diversas que detivessem o condão de impactar o trâmite de inquéritos ou de ações penais no âmbito do STF”, minimizou.

Gonet também não viu indícios de eventual financiamento a Zambelli após a PF identificar vários repasses de R$ 100 ao longo dos 30 dias anteriores à fuga para a Itália. “A análise das transações indica que a quantidade prevalente das doações se originou de apoiadores da então deputada federal, motivados pela campanha de arrecadação difundida por ela”, disse.

O procurador-geral da República ainda lembrou que a prisão de Zambelli em Rebibbia, em regime fechado, esvaziaria o “potencial delitivo das ações” da ex-deputada federal. “O cumprimento da prisão da ex-parlamentar, associado às demais evidências colhidas, reforça o esvaziamento do potencial delitivo das ações da investigada”, avaliou.

Zambelli perdeu o mandato de deputada federal há três meses. Moraes declarou sua cassação imediata após a Câmara dos Deputados descumprir o entendimento firmado pelo STF em cassar um parlamentar cuja condenação à prisão é superior ao tempo que lhe resta de exercício do mandato. A deputada federal, então, renunciou para tentar pôr panos quentes na crise institucional.

A ex-deputada federal acumula duas condenações. Zambelli foi sentenciada a dez anos de prisão por mandar o hacker Walter Delgatti invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir um mandado de prisão contra Moraes assinado pelo próprio ministro. A conduta acarretou uma condenação por invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica.

Zambelli ainda foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal após perseguir o jornalista Luan Araújo com uma arma em punho em São Paulo (SP). O episódio ocorreu às vésperas do 2º turno das eleições entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro.

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