Pouco se sabe sobre o afastamento e a investigação do número dois do Exército chinês, o general Zhang Youxia, 75, que atua como vice-presidente da Comissão Militar Central da China (CMC), o principal órgão das Forças Armadas no país.
Respondendo diretamente ao chefe de Estado e líder da comissão, Xi Jinping, o poderoso oficial foi afastado por ser suspeito de “graves violações disciplinares e legais”, segundo o Ministério da Defesa.
A apuração contra ele foi anunciada no último dia 24, quando também foi divulgado que outro membro da CMC, o general Liu Zhenli, 61, seria investigado pelas mesmas causas.
A decisão da cúpula do Partido Comunista Chinês em relação aos oficiais segue uma série de investigações e expulsões do Exército de Libertação Popular (PLA). Dos sete membros eleitos para a comissão em 2022, cinco foram submetidos à investigação por corrupção, dos quais três já foram expulsos.
A novidade é que a anunciada cruzada anticorrupção de Xi teria alcançado não apenas um subordinado direto, mas um homem visto como de sua confiança. Dado que o mundo político chinês é visto como uma caixa-preta, uma vez que Pequim dá poucas explicações sobre suas deliberações, especialistas tentam entender as entrelinhas da decisão, que pode também ter sido pautada com base em discordâncias com o chefe de Estado.
Timothy Heath, pesquisador sênior em defesa internacional da Rand Corporation, afirma que é difícil apontar as razões de cada afastamento. “No entanto, comentários da mídia chinesa sugerem que os expurgos de Xi são motivados tanto por preocupações com corrupção quanto por uma possível insubordinação à sua autoridade por parte de líderes militares de alto escalão. A prioridade de Xi em relação ao PLA continua sendo o controle incontestável do Partido”, afirma.
Heath se refere ao editorial publicado no jornal das Forças Armadas, o PLA Daily, onde o regime aponta que os oficiais “traíram gravemente a confiança e as expectativas” da cúpula do partido e “fomentaram gravemente problemas políticos e de corrupção que prejudicaram a liderança absoluta do Partido sobre as Forças Armadas”.


