BRASÍLIA – O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal atendeu 89 pessoas na Praça do Cruzeiro, em Brasília, no início da tarde deste domingo (25/1), após a queda de um raio. Elas estavam concentradas para o ato final da “Caminhada pela Liberdade”, liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
Do total das vítimas, 47 foram levadas para dois hospitais públicos próximos, sendo que 11 necessitavam de cuidados médicos específicos. A maioria com queimaduras e quadro de hipotermia.
Até a manhã desta segunda-feira (26/1), 9 pessoas continuavam internadas nas duas unidades, sem gravidade, segundo a Secretaria de Saúde do DF.
Atendidas pelos bombeiros e por equipes do Samu, as vítimas do raio foram divididas entre o Hospital de Base – especializado em emergências – e o Hospital Regional da Asa Norte – especializado em queimaduras. Uma das pessoas levada para o Base deixou a unidade antes da alta hospitalar.
A maioria das vítimas estava encostada em uma grade instalada ao longo da via em frente à Praça do Cruzeiro, para impedir que o público avançasse à pista, destinada à comitiva liderada por Nikolas e a um carro de som. No momento do raio, ele tocava uma música gospel.
Autoridades disseram que, durante o temporal de domingo, um raio caiu em um guindaste instalado pelos organizadores da manifestação para exibir uma grande bandeira do Brasil. A corrente elétrica desceu pelo equipamento e atingiu o público.
A Praça do Cruzeiro ocupa uma parte do canteiro central do Eixo Monumental, a avenida com seis pistas em cada lado que representa o corpo do imaginário avião do projeto urbanístico de Lucio Costa. A praça está a cerca de 5km da Praça dos Três Poderes.
Não há locais para abrigos no espaço destinado a lazer. Moradores de Brasília costumam ir até lá para ver o pôr do sol. Nos fins de semana, food trucks estacionam ao redor da praça para oferecer comidas e bebidas variadas.
Nikolas Ferreira iniciou a caminhada de cerca de 240 quilômetros de Brasília, na última segunda-feira (19/1), a partir de Paracatu, em Minas Gerais. No caminho, se juntaram a ele outros aliados políticos, além de eleitores.
O objetivo do ato foi pressionar por pautas da direita, como a posição contrária à situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele cumpre pena na Papudinha, em Brasília.
Outro foco foi a condenação a até 17 anos de prisão de réus que participaram dos atos de 8 de janeiro de 2023. A oposição conseguiu aprovar no Congresso Nacional a dosimetria, mas a redução de penas foi vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao chegar à Praça do Cruzeiro, após a queda do raio e o socorro às vítimas, Nikolas acusou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de “omissão” e criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Nós estamos aqui para pressionar uma pessoa que tem sido omissa nesse país, que se chama Davi Alcolumbre”, declarou Nikolas, cobrando a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar fraudes envolvendo o Banco Master.
Segundo o Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a ONG More in Commom, o ato na Praça do Cruzeiro teve entre 15,8 mil e 20,1 mil pessoas no momento de pico, às 15h15, resultando em uma média de 18 mil manifestantes.
A contagem é feita a partir de fotos aéreas analisadas com software de inteligência artificial. O medidor tem margem de erro de 12%.


