BRASÍLIA – O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (14/1) que ainda não conversou com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a respeito dos recentes acenos feitos por ela ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em meio às tensões que vieram à tona no campo da direita.
Questionado sobre as disputas internas, Flávio minimizou os atritos, afirmou que não pediu para ser apontado como o escolhido do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e avaliou que divergências pontuais são naturais no processo político. “Eu pratico a união, porque esse é o caminho”, disse. Segundo ele, ainda não é o momento de cobranças, já que a campanha está longe.
Nesta semana, dois episódios recentes evidenciaram atritos no campo conservador. Um deles envolve Michelle, alvo de críticas de aliados de Flávio após ela ter endossado uma publicação de Tarcísio de Freitas, na qual a primeira-dama paulista, Cristiane de Freitas, defende seu marido como “novo CEO” do país. O outro embate ocorreu entre a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o pastor Silas Malafaia, após trocas por suposto envolvimento de igrejas em fraudes no INSS.
O senador reforçou sua condição de herdeiro político de Bolsonaro ao afirmar que foi escolhido para representá-lo. Segundo ele, o tempo de manifestação de apoio varia entre os aliados e não indica ruptura. Para Flávio, o foco da disputa está fora do campo da direita. “Nosso adversário não está dentro da direita, nosso adversário tá na esquerda, está nesse atual governo”, declarou.
Flávio também comentou o desempenho nas pesquisas eleitorais após visitar o pai, que está preso na sede da Polícia Federal em Brasília. Na mais recente rodada da pesquisa Genial/Quaest, o senador aparece como o nome mais competitivo da oposição em cenários de disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O senador afirmou que seguirá atuando tanto nos bastidores quanto publicamente, conforme a necessidade, e que sua prioridade será a defesa das bandeiras que, segundo ele, podem levar o país à prosperidade. Ainda assim, reconheceu sinais positivos nos levantamentos. “Até as pesquisas, como a Quaest mostra, indicam um crescimento rápido”, afirmou, destacando que esse avanço não se limita ao eleitorado bolsonarista, mas alcança eleitores de centro.
Ao falar sobre a situação do pai, Flávio descreveu o estado de saúde e o ânimo do ex-presidente durante a visita. Segundo ele, Jair Bolsonaro estava com soluços e enfrenta um dilema em relação ao uso de medicamentos, que podem provocar desequilíbrio e risco de queda. Apesar disso, destacou o bom humor do pai. “Ele tem um bom humor inexplicável, que é o que sustenta ele no dia a dia”, disse.
O senador voltou a classificar como “desumana” a situação enfrentada pelo ex-presidente e afirmou que a defesa aguarda uma decisão sobre o último pedido de prisão humanitária. “É inacreditável a questão do ar-condicionado”, declarou, ao criticar as condições da custódia.


