Fixada atualmente em 15%, a Selic (taxa básica de juros da economia) é altamente favorável para a renda fixa – como Tesouro Direto, CDB e LCI. Nesse tipo de investimento, que é de baixo risco, a pessoa “empresta” dinheiro a emissores (governo, bancos, empresas) e recebe juros de volta. Ou seja, de forma geral, uma Selic mais alta significa maior retorno para esses investimentos. No entanto, com a expectativa de redução da taxa de juros em 2026, é possível que investidores, nacionais e estrangeiros, retirem dinheiro da renda fixa e ocorra uma fuga de capital do Brasil?
Para Paulo Vicente, professor associado da Fundação Dom Cabral (FDC), a resposta é sim. “Os juros altos atraem investimentos de renda fixa, inclusive dinheiro estrangeiro. Na medida em que a diferença entre os juros daqui e dos EUA e Europa cai, o dinheiro flui novamente para fora. Em geral, os brasileiros devem buscar as bolsas dos EUA (S&P e NASDAQ) e Europa (STOXX , GDAX e FTSE)”, explica.
Vale lembrar que os ativos de renda fixa lideraram o índice de desempenho do mercado financeiro em 2025. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), foi a primeira vez que os títulos de renda fixa prefixados ocuparam o topo do ranking do setor, desde 2017. Os maiores rendimentos foram dos papéis com vencimento superior a um ano, que registraram alta de 20,07% durante todo 2025.
No entanto, a opinião de que haverá uma fuga de capital do país não é um consenso entre os especialistas. Alisson Batista, professor de Ciências Contábeis da Estácio BH, afirma que a renda fixa continuará sendo um investimento atrativo. O que pode acontecer, neste ano, é que a renda variável também se torne mais atrativa para os investidores.
“Isso vai ampliar as possibilidades de investimento, que podem sair da renda fixa e ir para a renda variável, mas ainda continuar no país. O Brasil continuará competitivo, mesmo que a taxa de juros caia”, aponta.
Rendas variáveis são investimentos com retorno imprevisível, negociados em bolsas de valores, como ações, Fundos Imobiliários (FIIs), ETFs, BDRs (recibos de empresas estrangeiras) e criptomoedas. Elas podem gerar lucros ou prejuízos pela oscilação de preços e distribuição de proventos (dividendos), exigindo análise cuidadosa dos investidores devido ao maior risco.
Para Ricardo Hammoud, economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), uma das consequências é que os investidores externos devem comprar menos títulos públicos do Brasil. “Sobre a fuga de capital nacional, é possível que exista uma maior compra de ativos estrangeiros por parte de brasileiros. Porém, isso não é algo novo e é um movimento que já acontece. Pessoas com renda maior já têm uma parte dos seus ativos na bolsa americana”, afirma o especialista.
Caso a fuga de capital ocorra, Hammoud aponta que pode haver desvalorização do real e aumento do dólar. “Porém, isso não necessariamente irá acontecer se o Banco Central diminuir a taxa de juros de forma gradual e não houver um aumento da percepção de risco no mercado”, pondera.
Alisson Batista complementa dizendo que a taxa baixa de desemprego no país e o controle da inflação são fatores que pesam positivamente para mitigar a fuga desse capital. “Outros movimentos econômicos, como o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, também contribuem para que o país se torne mais forte e atraente a investimentos”, afirma.
Projeção da Selic para 2026
A primeira pesquisa Focus do ano mostra que os analistas consultados pelo Banco Central projetam para 2026 cortes na taxa básica de juros, a Selic. A projeção é de manutenção do nível atual de 15% na primeira reunião do ano, em 27 e 28 de janeiro. Ao final de 2026, entretanto, a expectativa é de que ela fique em 12,25%, com boa parte do mercado apostando no início do ciclo de cortes a partir de março.
Veja o calendário de reuniões para este ano:
- 27 e 28 de janeiro
- 17 e 18 de março
- 28 e 29 de abril
- 16 e 17 junho
- 4 e 5 de agosto
- 15 e 16 de setembro
- 3 e 4 de novembro
- 8 e 9 de dezembro


