BRASÍLIA – O ministro da Casa Civil, Rui Costa, defendeu que o Banco Central (BC) é quem tem competência técnica para avaliar a situação do Banco Master e agiu assim ao decidir pela liquidação extrajudicial em novembro. “As instituições têm que se ater às suas competências. Esse é nosso entendimento. E essa competência pertence ao Banco Central”, afirmou, ressaltando que a discussão é técnica. “Qualquer palpite fora disso é palpite”, completou em declaração no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (8/1).
Costa ponderou que os servidores do BC têm conhecimento técnico para monitorar o sistema financeiro e sugerir providências à diretoria da instituição. “Os técnicos têm ampla capacidade. São todos ali concursados. A equipe técnica apresenta à diretoria os pareceres que são ratificados diante dos estudos técnicos. Sou sempre favorável a respeitar os laudos, os pareceres e o trabalho técnico de quem estudou e se dedica há anos”, analisou. “Eles adotaram as providências que acham tecnicamente necessárias de serem adotadas”, concluiu.
A liquidação do Banco Master alcançou o Tribunal de Contas da União (TCU) depois que o ministro Jhonatan de Jesus acolheu representação do Ministério Público Federal (MPF), que pedia investigação sobre falhas na supervisão que cabia ao Banco Central. Atendendo o pedido, o ministro determinou uma inspeção no BC. Pressionado, Jesus suspendeu o procedimento e decidiu submetê-lo à votação do plenário do TCU. As atividades na Corte serão retomadas após o recesso do judiciário, em fevereiro.
O que aconteceu?
O Banco Central encerrou as atividades do Banco Master no âmbito da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, destinada a investigar fraudes financeiras que movimentaram cerca de R$ 17 bilhões a partir da emissão e venda de títulos de crédito falsos. O proprietário do banco é Daniel Vorcaro. Ele foi preso em 17 de novembro quando tentava embarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A Justiça Federal determinou a soltura de Vorcaro 12 dias depois. Ele responde em liberdade e é monitorado por tornozeleira eletrônica. Além da investigação sobre os títulos de crédito falsos negociados pelo Master, a Polícia Federal também vai apurar se influenciadores foram pagos para defender o banco de Vorcaro e atacar o BC nas redes sociais.


