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Esquerda e direita entram em 2026 com indefinições e conflitos para as eleições em Minas

Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado é crucial para os objetivos de PT e PL a nível nacional

Ano de eleições para definição de presidente, governadores, senadores e deputados, 2026 começa com indefinições no tabuleiro eleitoral em Minas Gerais e conflitos internos a serem solucionados. Da esquerda à direita, os principais partidos que ditam o ritmo da disputa nas urnas adentram o novo ano com indefinições nos nomes que entrarão na briga por votos entre agosto e outubro, quando será iniciada a propaganda eleitoral.

O maior imbróglio no cenário mineiro está na esquerda. O Partido dos Trabalhadores (PT) bate cabeça internamente, sem um consenso, e não definiu, ainda, quem será o candidato ao governo de Minas. Segundo maior colégio eleitoral do país, o estado é crucial para o objetivo maior da legenda em 2026, que é a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tratando-se de eleições presidenciais, inclusive, prevalece, até então, a máxima no Brasil desde a redemocratização: quem vence em Minas, sai vitorioso no pleito.

Todavia, o partido inicia o ano sem saber quem de fato garantirá a Lula um palanque no estado. O desejo de Lula e de caciques petistas era de que o senador Rodrigo Pacheco (PSD) se lançasse na corrida ao Palácio Tiradentes – fato que não se confirmou. O parlamentar não sabe ainda se tentará uma reeleição ao Senado ou se abandonará a vida pública, como já manifestou publicamente após não ter sido indicado à vaga do ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou no Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante agenda em BH em dezembro, Lula afirmou que não havia desistido da candidatura de Pacheco e que a ‘esperança era a última que morre’. Contudo, pares do senador tratam como remota a possibilidade de mudança de rota para uma candidatura ao governo mineiro. Com Pacheco fora do tabuleiro, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), é um nome no radar e que chegou a ser sondado, mas enfrenta resistências internas no PT por críticas que o pedetista fez à sigla após as eleições de 2022.

Nos últimos dias, um grupo de articuladores políticos, encabeçado pelo ex-deputado federal Romeu Queiroz, tenta viabilizar o nome de Walfrido Mares Guia, que foi vice-governador de Minas Gerais entre 1995 e 1998, como pré-candidato ao Executivo Estadual. As tratativas, porém, aguardam sinal verde de Lula para avançar. Walfrido, por sua vez, ainda não falou sobre o assunto. Há ainda quem defenda um apoio ao presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Leite, que não pretende concorrer ao Executivo.

Nomes como o das prefeitas de Contagem, Marília Campos (PT), e de Juiz de Fora, Margarida Salomão (PT), chegaram a ser aventados, mas ambas rechaçam a possibilidade. Campos, inclusive, pode ser candidata ao Senado. Para isso, porém, ela deseja ser candidata única no campo progressista. A conjuntura, porém, é considerada difícil por alguns nomes do PT, já que Lula deseja ter a candidatura do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), à Casa.

Silveira, inclusive, deve ser o coordenador da campanha à reeleição de Lula em Minas. Ele também é citado por quadros do partido como uma opção para concorrer ao governo de Minas, mas antes de definir uma candidatura precisa buscar um novo partido. O PSD, que hoje abriga o ministro, lançou a pré-candidatura do vice-governador Mateus Simões ao Palácio Tiradentes.

O ‘nome’ de Zema

Enquanto a esquerda vive um dilema, a direita em Minas se organiza justamente em torno de Mateus Simões. ‘Nome’ do governador Romeu Zema (Novo) para dar sequência aos dois mandatos, o atual vice deverá ter o apoio do Partido Liberal (PL) em 2026. A aliança tem sido costurada ativamente por um dos principais quadros da direita em Minas e no Brasil, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).

Na chapa, o Novo cobiça o cargo de vice e estuda nomes que possam ladear Simões. Por outro lado, o PL também tem interesse em ocupar a vaga. O Partido Liberal ainda terá um candidato ao Senado no palanque de Simões. O nome mais provável é o do deputado federal e presidente da legenda em Minas, Domingos Sávio, que deve concorrer junto com o atual secretário de Governo de Zema, Marcelo Aro (PP).

Uma ala do PL, porém, mais ligada à segurança pública, ainda resiste à aliança com Simões. Caso a costura avance, como o cenário se desenha, o grupo defende que o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL) seja o candidato ao Senado em vez de Domingos Sávio.

Com a candidatura de Mateus Simões ‘na rua’, a direita ainda aguarda um posicionamento do senador Cleitinho (Republicanos). Líder nas pesquisas realizadas até então, Cleitinho é tratado como um potencial candidato ao governo de Minas em 2026. Ele, no entanto, diz que só vai se decidir em março. Nos bastidores, opositores tratam como certa a candidatura do senador, enquanto correligionários mantém cautela sobre o futuro do político, que ainda tem mais quatro anos de mandato no Congresso.

MDB se posiciona ao centro

Com dúvidas ainda orbitando a esquerda e a direita, o MDB tem buscado o centro na disputa ao governo de Minas. O movimento foi reforçado com o lançamento da pré-candidatura ao Palácio Tiradentes do ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo. Ele, inclusive, já iniciou viagens ao interior do estado e estuda nomes sem ligações profundas com os dois extremos para a composição da chapa.

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