Em tempos de onda de calor, o que mais se vê nas ruas é quase todo mundo reclamando dos efeitos das altas temperaturas. Quase todo mundo. Quando o termômetro bate 35ºC, donos de fábricas de sorvete e sorveterias celebram o calorão. “Demorou, mas chegou”, comemora Francisco Melo, que é diretor comercial da Easy Ice, tradicional marca de sorvetes de Belo Horizonte.
Segundo ele, nas duas últimas semanas, as vendas de sorvete dobraram. “O nosso setor tinha expectativa de que o calor chegasse mais cedo, normalmente já fica quente em setembro. Mas neste ano a primavera foi de muita chuva, o que não é ideal para o setor”, explica Melo.
E os dias quentes são fundamentais para equilibrar as contas em um ano que teve um inverno mais rigoroso em relação aos anteriores. “A gente costuma dizer que tem três meses de sucesso, três de prejuízo, enquanto os outros seis tentamos equilibrar as contas. A diferença de faturamento entre o melhor mês e o pior chega a 70%”, revela o diretor comercial.
Após uma primavera de temperaturas amenas em boa parte de Minas Gerais, o empresariado agora torce para que o calorão se estenda até o Carnaval. “Se isso acontecer, é possível que as vendas superem ao registrado no verão passado”, afirma Melo. “Depois de dois ou três dias de calor intenso, as pessoas ficam desesperadas atrás de um sorvete”.
Contratações
Em Governador Valadares, cidade do Vale do Rio Doce onde a população sofre com uma sensação térmica de 45ºC, está a fábrica da Delicius, marca presente em 400 cidades de Minas, Bahia e Espírito Santo. Por lá, a onda de calor exigiu uma correria para dar conta dos muitos pedidos que chegaram das sorveterias.
“Esse final de ano surpreendeu a gente, os clientes estão fazendo pedidos para ontem e pedindo para furar a fila. Tivemos que fazer uma expansão nas equipes de produção e de vendas”, explica Arthur de Oliveira, gerente executivo da Delicius. Segundo ele, no verão as negociações, normalmente, crescem 40%.
De acordo com levantamento divulgado em setembro pela Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (Abrasorvete), 66,53% afirmam que o clima influencia sua decisão de compra, enquanto 33,47% não consideram a temperatura.
A pesquisa apontou que o consumo médio anual de picolé no Brasil é de 3,19 litros por pessoa, ou cerca de 45 unidades, por ano. Já o sorvete de massa registra um consumo médio de 5,94 litros por ano – mas é importante destacar que cerca de 10% a 15% da população brasileira não consome sorvetes e esse grupo não foi considerado na pesquisa.


