BRASÍLIA – Com a proximidade da eleição presidencial de 2026, integrantes da direita aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) avaliam que a mudança no comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode alterar o ambiente institucional que marcou as eleições de 2022.
Naquele ano, a Corte, sob a presidência de Alexandre de Moraes e a vice de Cármen Lúcia, adotou medidas duras contra a desinformação, a descredibilização das urnas e outras ações consideradas atentatórias ao processo democrático para garantir a reeleição do ex-presidente, que acabou derrotado por uma diferença de cerca de 1 milhão de votos a favor de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.
A expectativa do campo conservador para o próximo ano cresce diante da confirmação de que o ministro Kassio Nunes Marques assumirá a presidência da Justiça Eleitoral em junho de 2026, tendo como vice o também ministro André Mendonça.
Ambos foram indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro e, para aliados do ex-presidente, representam uma composição considerada menos hostil ao grupo político que orbitou o Palácio do Planalto entre 2019 e 2022.
A composição do TSE é formada por sete ministros: três do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e dois advogados indicados pelo presidente da República a partir de duas listas tríplices. A presidência cabe, tradicionalmente, a um ministro do STF, seguindo a ordem de antiguidade e alternância interna.
Durante o período eleitoral, é de responsabilidade do presidente coordenar o funcionamento da Justiça Eleitoral, presidir as sessões do tribunal, decidir questões administrativas urgentes e representar institucionalmente o órgão. O tribunal também é responsável por julgar ações envolvendo candidatos, partidos políticos e a lisura do processo eleitoral.
Autoridades preveem eleições mais “difíceis” da história do Brasil
O novo comando do TSE estará à frente de uma das eleições mais sensíveis desde a redemocratização. O pleito ocorrerá em um ambiente ainda marcado pela polarização extrema, pelo uso intensivo de ferramentas digitais e de inteligência artificial na disputa política e pelos efeitos institucionais dos julgamentos que levaram à condenação de Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
À época, Moraes determinou remoções de conteúdo, aplicou sanções a aliados de Bolsonaro e autorizou medidas de investigação que, segundo críticos, limitaram a atuação política do campo conservador.
A expectativa entre aliados do ex-presidente é que a gestão de Nunes Marques e André Mendonça promova maior previsibilidade institucional, sobretudo em temas sensíveis como propaganda eleitoral, atuação de plataformas digitais e fiscalização de campanhas.
O cenário, no entanto, é acompanhado de cautela dentro do próprio Judiciário. Integrantes da Corte reconhecem que as eleições de 2026 devem ocorrer sob forte tensão política, marcada pelo uso crescente de inteligência artificial, pela polarização social e pela necessidade de preservar a credibilidade do sistema eleitoral após os ataques institucionais registrados nos últimos anos.


