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Médicos avaliarão resposta de Bolsonaro a tratamento antes de decisão de procedimento para soluços

Caso ex-presidente não evolua, bloqueio do nervo frênico, sugerido pela PF “o mais breve possível”, será realizado na próxima segunda (29/12)

BRASÍLIA – Os médicos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) optaram por um tratamento conservador antes de submetê-lo a uma nova intervenção para tentar conter as crises de soluço. Chamado de bloqueio do nervo frênico, o procedimento foi recomendado “o mais breve possível” pela Polícia Federal (PF) em uma perícia médica na última sexta-feira (19/12).

Caso Bolsonaro não responda ao tratamento, o cardiologista Brasil Ramos Caiado projetou que o bloqueio do nervo frênico deve ser realizado na próxima segunda (29/12). “Nós optamos, por questão de precaução, otimizar o tratamento: melhorar a dieta, potencializar toda a medicação e observar nos próximos dias a necessidade ou não deste procedimento”, explicou.

Segundo Caiado, o bloqueio do nervo frênico é “mais invasivo” do que a cirurgia para corrigir as hérnias na virilha realizada nesta quinta-feira (25/12). “(O bloqueio) Tem um enorme benefício? Tem, mas, se nós pudermos resolver de forma clínica, para ele é mais seguro. Essa é a nossa preocupação agora”, pontuou o cardiologista, lembrando ainda que Bolsonaro tem 70 anos de idade.

O cirurgião-geral Cláudio Birolini explicou que o bloqueio é uma anestesia aplicada em um nervo que alcança o diafragma. “É realizado por rádio intervenção. Então, você localiza o trajeto do nervo com o aparelho de ultrassom, eventualmente estimula o diafragma para tentar localizar se o direito ou o esquerdo é mais suscetível e, localizando o nervo, você faz a injeção de uma substância anestésica, mais corticóide”, disse.

Internação deve durar até uma semana

Questionado se a nova intervenção prolongaria a internação de Bolsonaro, estimada entre cinco e sete dias, Caiado disse crer que não. “Acredito que não, porque tenho que fazer uma avaliação clínica periódica”, apontou. O ex-presidente está internado no DF Star desde a manhã da última quarta (24/12), quando deixou a Superintendência da PF, onde estava preso há 32 dias.

Apesar de o próprio Birolini ter sugerido o bloqueio do nervo frênico a princípio, com chance de realização nesta quinta-feira, Caiado observou que os médicos adotaram precaução para observar se os soluços têm relação direta com o tubo digestivo. “Até segunda, como falei, nós vamos ver como é a evolução clínica dele e como está espaçado o soluço, já que estamos inserindo um novo tratamento, mais otimizado”, reiterou o cardiologista.

Os peritos médicos da PF citaram que Bolsonaro soluçou entre 30 e 40 vezes por minuto ao longo da perícia realizada no último dia 17 de dezembro. “Nos últimos sete meses, o periciado (ex-presidente) afirma que chegou a ficar de um a dois dias sem soluçar, mas que o quadro retorna e perdura por dias, trazendo prejuízo na alimentação e no sono”, relataram os policiais federais.

A PF, então, sugeriu o bloqueio do nervo frênico “o mais breve possível”, já que poderia agravar as hérnias do ex-presidente na virilha. “O bloqueio do nervo frênico guiado por ultrassom dos ramos eferentes – conforme proposto pela equipe médica – faz parte do arsenal terapêutico descrito na literatura para o tratamento de soluços persistentes pós-operatórios”, recomendou.

Bolsonaro já está em um quarto no hospital DF Star, situado a 2,5 quilômetros da Superintendência da PF, após tirar as hérnias na virilha em uma cirurgia de cerca de três horas. “Ele não vai ficar na unidade de terapia intensiva (UTI)”, pontuou Birolini. “Ele fez um período de uma hora e meia de recuperação anestésica, já está acordado e acabou de ir para o quarto”, acrescentou.

Cirurgia sem intercorrências

Segundo o cirurgião-geral, a cirurgia ocorreu sem intercorrência alguma. “A hérnia era maior do lado direito. Do lado esquerdo, a hérnia estava em uma fase mais inicial, mas, se não resolvesse agora, daqui a alguns meses ele iria desenvolver o quadro clínico do mesmo jeito que desenvolveu do lado direito. Então, já foi feita a correção de ambos os lados”, explicou.

Birolini ainda afirmou que a equipe deve aguardar até esta sexta (26/12) para iniciar a fisioterapia e que Bolsonaro deve fazer uma endoscopia antes de deixar o DF Star para avaliar o quadro de esofagite, gastrite e refluxo. “Ele fez a última endoscopia há uns três meses e a gente deve repeti-la durante a internação”, argumentou Birolini.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) acompanhou a cirurgia. Como o ex-presidente está preso, a ex-primeira-dama foi a única autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes a acompanhá-lo. O quarto onde está Bolsonaro é vigiado por, no mínimo, dois policiais federais e a entrada de telefones celulares e computadores está proibida.

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