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Ministros do centrão enfrentam nas urnas em 2026 saldo de rebeldia aos partidos e fidelidade a Lula

Celso Sabino e André Fufuca escolheram ficar no governo Lula após ordens de seus partidos, o União Brasil e o PP, de olho na eleição do ano que vem

BRASÍLIA – Ministros do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão para as urnas em 2026 diante de um cenário de incertezas. Celso Sabino foi demitido por Lula do cargo de ministro do Turismo e foi expulso do União Brasil por contrariar decisão do partido e permanecer no governo. Já André Fufuca, que também desafiou o PP e seguiu à frente do Ministério dos Esportes, até o momento foi preservado pela legenda.

Em setembro, União Brasil e PP resolveram se unir em federação, formando a União Progressista, e anunciaram o desembarque do governo Lula. Os dois ministros, no entanto, decidiram ficar ao lado do presidente Lula.

O cálculo de Sabino e de Fufuca era político. Os dois querem ser candidatos ao Senado e avaliam que o apoio do presidente Lula seria essencial para vencer o pleito em estados onde o petista tem a preferência do eleitorado.

Sabino escolheu Lula e foi demitido em seguida

Após ser demitido por Lula, Sabino reassumiu seu mandato como deputado federal. Ele já afirmou que quer concorrer a uma das duas cadeiras de senador pelo Pará na próxima eleição. Mas seu destino ainda depende da filiação a um partido, já que foi expulso do União Brasil por ficar no governo federal.

A COP30, a Conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) para mudanças climáticas, aconteceu em novembro, em Belém (PA), e era considerada pelo ministro como a principal bandeira de sua gestão. Por isso, na avaliação dele, deixar o governo antes do evento poria em risco seu principal plano político.

Em entrevista, antes da sua expulsão do partido, Celso Sabino avaliou que a decisão tomada em setembro pela União Progressista foi “açodada”. Na ocasião, Lula experimentava índices mais baixos de popularidade, e os dois partidos entenderam que o melhor caminho político seria caminhar para a oposição.

“Sigo acreditando que o melhor para o país, para o progressismo, é seguir sob o comando do presidente Lula”, afirmou Sabino. “Tenho certeza de que lá na frente, os que são contrários irão se convencer disso”, destacou em entrevista ao programa “Bom dia, ministro”.

Após a decisão da Executiva Nacional do União Brasil, o ministro do Turismo reafirmou que foi expulso do partido por não aceitar deixar o “melhor projeto para o país”, em referência ao governo Lula.

“Sobre a minha expulsão, a minha exclusão do quadro do partido, deu-se pelo fato de eu continuar ajudando o Pará, de eu continuar trabalhando no Ministério do Turismo, servindo ao Brasil, optando pela escolha que eu entendo, e a grande maioria dos brasileiros entendem também, que é o melhor projeto para o país”, disse.

“Eu saio hoje do União Brasil com a minha cabeça erguida, porque saio com a minha ficha limpa. Saio sem trazer comigo nenhuma mácula estou saindo do partido porque trabalhei pelo Brasil pelo turismo, não me curvei e tive a coragem de enfrentar partidos políticos quando quiseram me obrigar a fazer o que eu não concordei, não poderia abandonar o meu trabalho nas vésperas da realização da COP30”, acrescentou Sabino.

Mesmo permanecendo fiel a Lula, o presidente anunciou a demissão de Sabino, no último dia 17, após pedido do União Brasil, que já indicou o novo ministro, Gustavo Feliciano, filho do deputado federal Damião Feliciano (União-PB).

Sabino afirmou que a demissão foi para garantir a “governabilidade” da gestão petista. “A garantia da governabilidade faz parte também da participação do governo pelos partidos e houve realmente essa demanda, vamos chamar assim, do União Brasil para indicar o ministro”, afirmou, em entrevista à imprensa.

Além da necessidade de uma nova legenda, Sabino ainda enfrenta um cenário adverso no Pará. Lula terá que se dividir no estado entre o palanque de Sabino e o do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), que também disputará uma vaga no Senado e é um aliado do presidente.

Fufuca: “Eu estou com Lula”

Já André Fufuca não foi expulso do PP. Ele foi afastado de todas as suas funções dentro da legenda e do comando do diretório maranhense. Em uma articulação de líderes partidários com o Planalto, o ministro permaneceu no governo em troca da preservação de outros indicados pelo PP em cargos do segundo escalão.

Durante cerimônia na cidade de Imperatriz, no Maranhão, estado de Fufuca, ele reafirmou à plateia que estava “com Lula”, apesar de não ter apoiado o petista na eleição de 2022.

“Presidente Lula, vou terminar minha fala, não meu compromisso com você. O importante não é justificar o erro, o importante é evitar que ele se repita. Em 2022, eu cometi o erro, mas agora em 2026, pode ser que meu corpo esteja amarrado, pode ser… mas a minha alma, o meu coração e a minha força de vontade estarão livres para brigar e ajudar Luiz Inácio Lula da Silva a ser presidente do Brasil”, disse

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