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Análise: Cruzeiro encerra temporada 2025 com gosto amargo, mas ano é positivo e serve de exemplo

Equipe estrelada voltou a figurar entre os principais times do país

A temporada 2025 chegou ao fim oficialmente para o Cruzeiro. O jogo derradeiro da Raposa no ano teve um desfecho amargo, com a eliminação da Copa do Brasil para o Corinthians, nos pênaltis. Apesar da frustração por não vencer o torneio do qual é o maior campeão, o ano pode ser considerado positivo para o clube estrelado por uma série de fatores.

Início conturbado

A temporada começou com uma expectativa alta, após contratações consideradas bombásticas e ousadas da diretoria celeste. As chegadas de Dudu e Gabigol, anunciados com grande festa e badalação em um Mineirão cheio, indicavam que o clube celeste queria voltar a ser protagonista no futebol nacional. Mas o início do Campeonato Mineiro foi bem longe disto.

O técnico Fernando Diniz, hoje no Vasco, não conseguiu extrair do time o máximo possível e acabou demitido na terceira rodada do estadual, com a equipe tendo atuações abaixo do esperado. O Cruzeiro apresentou uma sensível melhora com o interino Wesley Carvalho, que foi substituído logo depois pelo técnico Leonardo Jardim, antes da semifinal do torneio.

O início de trabalho de Jardim foi difícil, com a equipe tendo dificuldades para colocar em prática o que o comandante entendia de futebol. A falta de encaixe do time resultou na eliminação do Campeonato Mineiro ainda na semifinal, para o América, mas como haviam sido apenas dois jogos, a diretoria celeste manteve o plano. Jardim teve, então, mais de 40 dias para treinar com o elenco.

Brasileirão: o ajuste e a arrancada

A estreia contra o Mirassol mostrou uma evolução e um pouco da cara do time que Jardim gostaria de montar. Algo que não se repetiu nos dois primeiros jogos da Copa Sul-Americana e complicou a equipe celeste no torneio continental. A Raposa viria a ser eliminada do torneio internacional ainda na primeira fase, após quatro rodadas.

A rota começou a tomar um rumo promissor no fatídico jogo contra o São Paulo, na terceira rodada do Brasileirão, quando Jardim promoveu mudanças drásticas na escalação. Isto depois de exigir uma mudança de postura do elenco e ameaçar deixar o clube. O que parece ter dado certo.

A partir do duelo contra o Tricolor Paulista, a Raposa passou a ser outro time: combativo, rápido, intenso, vencendo adversários considerados poderosos, como Palmeiras e Flamengo. A arrancada no Brasileirão colocou a equipe no G4, de onde o time nunca mais sairia, e, em alguns momentos, transformou o Cruzeiro em postulante ao título.

Simultaneamente, na Copa do Brasil, a equipe fazia campanha consistente, avançando fase a fase de forma invicta. O time teve oscilações no torneio de pontos corridos, que custaram pontos preciosos na briga pelo título, porém nunca deixou a zona de classificação para a Libertadores.

Fim de expectativa, mas amargo

A Raposa chegou ao fim da temporada em clima de alegria e expectativa. O grande objetivo da temporada – a classificação para a Libertadores – foi alcançado na 35ª rodada do Campeonato Brasileiro. Ao mesmo tempo, a Raposa estava na semifinal da Copa do Brasil e era considerada por muitos a favorita para vencer o torneio. Era a chance de fechar com chave de ouro um ano que já era positivo.

Porém a equipe azul acabou fazendo um jogo ruim na ida contra o Corinthians, no Mineirão, em que se pese a irregularidade no gol de Memphis na vitória corintiana por 1 a 0. Na volta, a Raposa fez uma partida melhor, venceu e levou a disputa para os pênaltis. Mas acabou parando em erros individuais nas cobranças de pênaltis – Gabriel Barbosa e Walace perderam suas cobranças – e deu adeus ao torneio.

Embora o ano tenha terminado em clima ruim, devido à queda na Copa do Brasil e à saída do técnico Leonardo Jardim, há mais que se comemorar do que se lamentar. Após mais de 10 anos, o time celeste terminou no G4 do Campeonato Brasileiro, apresentando um bom futebol. Tudo isso quando pairavam dúvidas sobre a equipe após o começo da temporada.

Além disso, o Cruzeiro promoveu uma mudança no jeito de administrar seu futebol, com mais valorização dos atletas da base (Kaique Bruno e Kauã Prates são exemplos). A Raposa também mudou seu comportamento no mercado da bola, abrindo mão de contratar atletas badalados e passando a priorizar jogadores jovens, porém promissores.

A saída de Leonardo Jardim pode ser bastante sentida. Porém a passagem do português pela Toca da Raposa II deixou um legado, uma estrutura, uma mentalidade, não só dentro de campo, como fora das quatro linhas. Se o clube souber seguir o que foi deixado, pode ter um futuro promissor a curto, médio e longo prazo.

O ano de 2025 foi mais um passo na reconstrução do Cruzeiro. Cabe à diretoria saber aproveitar os aprendizados positivos deste ano para subir mais degraus neste processo, que está em bom caminho.

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