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PF mira deputado federal Antônio Doido em operação e encontra celulares jogados de janela

Parlamentar e outras pessoas são suspeitas de corrupção eleitoral, corrupção ativa e passiva, crimes licitatórios, lavagem de dinheiro e organização criminosa

BRASÍLIA – O deputado federal Antônio Leocádio dos Santos (MDB-PA), conhecido como Antônio Doido, é um dos alvos da Operação Igapó, deflagrada na manhã desta terça-feira (16/12) para apurar crimes de corrupção e lavagem de dinheiro exercidos por organização criminosa.

Quando agentes chegaram ao prédio onde estava o parlamentar, em Brasília, telefones celulares foram jogados por uma janela, mas os policiais recuperaram os equipamentos, que serão levados para perícia.

Policiais federais cumpriram 31 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no estado do Pará e no Distrito Federal. Entre os alvos, além do deputado, está o secretário de Obras do Pará, Ruy Cabral.

Os alvos da operação são suspeitos de desviar emendas parlamentares e verbas estaduais por meio de fraudes em processos de licitação. Depois, usavam os valores desviados no pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio.

A PF apura corrupção eleitoral, corrupção ativa e passiva, crimes licitatórios, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Em 3 de dezembro, a Justiça Eleitoral tornou Antônio Doido inelegível por oito anos devido à prática de abuso de poder político e econômico nas eleições municipais de 2024. Cabe recurso às instâncias superiores, por isso ele continua no cargo.

Prisão em flagrante de PM levou ao deputado

Em 4 de outubro de 2024, dois dias antes da votação do 1º turno das eleições, o policial militar Francisco de Assis Galhardo do Vale foi preso ao sacar R$ 5 milhões na cidade de Castanhal (PA). Em 17 de janeiro de 2025, a PF apreendeu R$ 1,1 milhão com Jacob Serruya Neto, então assessor de Antônio Doido.

Os casos foram unificados e colocaram o nome do deputado federal em um possível esquema de desvio de recursos públicos. A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu uma investigação contra o parlamentar, que passou a ser formalmente investigado pelo STF.

A partir de informações da PF, a PGR afirma que o grupo liderado pelo deputado Antônio Doido “utiliza um complexo sofisticado mecanismo de lavagem de dinheiro, proveniente de desvios de recursos públicos, mediante o suposto pagamento de vantagens indevidas para servidores públicos”.

As afirmações da PGR têm como base o material encontrado pela PF nos aparelhos celulares de Francisco Galhardo e dos outros dois presos ao sacar R$ 5 milhões e as informações enviadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A PF encontrou uma série de conversas no celular de Galhardo ao prendê-lo no momento do saque de R$ 5 milhões, em Castanhal. As conversas e os dados enviados pelo Coaf revelaram um organizado esquema de saques milionários e posterior transporte de valores que os investigadores suspeitam ser de Antônio Doido.

Entre março de 2023 e outubro de 2024, Galhardo fez 15 saques de dinheiro em espécie que totalizam R$ 48,8 milhões, de acordo com dados citados pela PGR. Os valores foram sacados em duas agências do Banco do Brasil, em São Miguel do Guama e Castanhal.

Apenas entre junho e outubro de 2024, nas proximidades do período de campanha eleitoral, o policial sacou R$ 26 milhões. De acordo com a PGR, os valores têm origem em uma empresa em nome da esposa do deputado Antônio Doido.

Conversas em celular são usadas como provas

Conversas encontradas no celular do PM Francisco Galhardo mostram os bastidores dos saques e das entregas de valores. Em algumas delas, o próprio Antônio Doido aparece dando ordens de valores a serem entregues ou é citado pelo PM como ordenador dos pagamentos.

No saque de R$ 5 milhões que resultou na prisão do PM, por exemplo, há uma mensagem do deputado ordenando a entrega de R$ 380 mil para uma pessoa de nome Geremias.

A PF descobriu que, no dia do saque, Geremias falou com Francisco Galhardo por mensagem. Às 11h47, ele envia ao PM: “Seu Antônio mandou pegar um dinheiro contigo em Castanhal ai. É… que horas eu posso te encontrar em Castanhal ai?”.

Antônio Doido aparece entre os deputados federais que mais liberaram recursos via emendas em 2024, com cerca de R$ 37,8 milhões enviados a prefeituras do Pará. A suspeita é de que parte desses recursos tenha sido desviada.

 

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