BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou para esta segunda-feira (1/12) uma reunião com cinco ministros, no Palácio do Planalto, em meio à crise na relação com o Congresso Nacional e a dificuldade para aprovar temas de interesse do governo.
Estarão presentes os ministros Rui Costa (Casa Civil), Fernando Haddad (Fazenda), Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social).
A crise se agravou no último domingo (30/11) após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ter subido o tom nas críticas à postura do governo na indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). O senador acusou “setores” do Poder Executivo de tentar “desqualificar” o parlamento e mostrou irritação com o atraso no envio formal da nomeação.
Responsável pela articulação política, Gleisi tentou colocar panos quentes ao afirmar que o governo tem “o mais alto respeito e reconhecimento” por Alcolumbre e negou que haja a intenção de negociar cargos e emendas em troca da aprovação de Messias.
Insatisfeito com a escolha de Messias ao invés do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), Alcolumbre marcou a sabatina do indicado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para o dia 10 de dezembro, prazo considerado apertado para que o ele consiga se reunir com todos os senadores e articular sua aprovação.
Pautas de segurança pública
Outros temas da reunião desta segunda-feira devem ser o projeto de lei Antifacção, que está no Senado após ter sido aprovado pela Câmara com uma versão que desagrada ao governo, e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, em análise pelos deputados.
No caso do PL Antifacção, o governo tenta, no Senado, recuperar itens da proposta original que foram alterados pela Câmara, enquanto na PEC da Segurança Pública, o Planalto tenta evitar uma desfiguração do texto, que deve ser votado nesta semana por uma comissão especial.
Outra prioridade do governo é o projeto do “devedor contumaz”, bandeira levantada por Haddad no combate a esquemas de sonegação fiscal. O texto mira empresas que usam a inadimplência fiscal como estratégia de negócio e deixam de pagar tributos de forma reiterada e sem justificativa.
Enquanto isso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) mantém um rompimento político com o líder do PT, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), após uma série de desentendimentos sobre a condução da votação do PL Antifacção. O descompasso entre Planalto e Congresso ocorre em um momento em que o Executivo depende do Legislativo para aprovar pautas essenciais, especialmente o Orçamento de 2026.


