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PGR recomenda prisão domiciliar ao general Augusto Heleno, que cumpre pena por tentativa de golpe

Em seu parecer, Paulo Gonet levou em conta o estado de saúde do militar de 78 anos, citou caráter humanitário e jurisdição do Supremo

BRASÍLIA – O procurador-geral da República, Paulo Gonet, recomendou prisão domiciliar para o general Augusto Heleno, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação em plano de golpe de Estado.

Heleno recebeu pena de 21 anos de prisão, dos quais 18 anos e 11 meses de reclusão (regime fechado) e um mês de detenção (em regime semiaberto ou aberto), começando pelo regime fechado.

Ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo Jair Bolsonaro (PL), o general começou a cumprir a pena no Comando Militar do Planalto, em Brasília, desde a última terça-feira (25/11).

Heleno, que tem 78 anos, foi preso após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, decretar o início do cumprimento da pena do general e dos demais condenados por integrar o núcleo crucial da trama golpista.

No exame de corpo e delito, após a prisão, o general relatou apenas dor nas costas. A médica registrou em relatório que ele estava em bom estado geral, lúcido e com sinais vitais normais.

No documento enviado ao STF, a médica que fez o exame escreveu ainda que Heleno era um idoso com aparência compatível com a idade e “com estado emocional estável”.

Já em audiência de custódia na última quarta-feira (26/11), Heleno relatou que sofre de Alzheimer desde 2018 – ele ficou à frente do GSI de 2019 a 2022, durante todo o governo Bolsonaro.

A defesa apresentou relatório médico que diz que o general tem um quadro progressivo de demência do tipo Alzheimer, acompanhado de prisão de ventre e hipertensão, que está sob tratamento medicamentoso.

Em seu parecer, Gonet levou em conta o estado de saúde do militar, citou caráter humanitário e jurisdição do STF que admite o benefício a “condenado acometido de doença grave que necessite de tratamento médico que não possa ser oferecido no estabelecimento prisional ou em unidade hospitalar adequada”.

“A manutenção do custodiado em prisão domiciliar é medida excepcional e proporcional à sua faixa etária e ao seu quadro de saúde, cuja gravidade foi devidamente comprovada, que poderá ser vulnerado caso mantido afastado de seu lar e do alcance das medidas obrigacionais e protecionistas que deverão ser efetivadas pelo Estado e flexibilização da situação do custodiado”, escreveu Gonet no parecer.

Agora cabe a Alexandre de Moraes, o relator da ação penal que levou à condenação dos oito integrantes do núcleo crucial, incluindo Bolsonaro, decidir o destino de Heleno. Ele deve levar o caso à Primeira Turma do STF, a mesma que julgou a trama golpista.

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