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ArcelorMittal tem “apetite” para mais investimentos, mas vai depender de freio em importações

Presidente da ArcelorMittal Brasil, Jorge Luiz Ribeiro de Oliveira defende mais medidas de proteção contra entrada de acho chinês no Brasil

Cartagena, Colômbia – Presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO da ArcelorMittal – Aços Planos América Latina, Jorge Luiz Ribeiro de Oliveira informa que a empresa tem “apetite” para investir em seus negócios no país, mas tudo depende de como a crescente e ameaçadora entrada de aços importados da China será controlada com medidas de proteção ao mercado interno.

O grupo siderúrgico encerra ciclo de R$ 25 bilhões em investimentos neste ano e, segundo o executivo, pode aplicar outros R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões até 2029. Em entrevista concedida durante a Alacero Summit 2025, maior evento do setor siderúrgico na América Latina, que foi promovido pela Associação Latino-Americana do Aço (Alacero, na sigla em espanhol), em Cartagena, Colômbia, nos dias 11 e 12 de novembro, Jorge Oliveira mostrou preocupação com a alta de 300% das importações de aço.

Como está o cenário para o mercado de aço no Brasil?

A importação, principalmente da China, que é o maior exportador para a América Latina e para o Brasil, vem crescendo. A importação direta no Brasil, em média, há 20 anos, até o período pré-COVID, foi em torno de 2,2 milhões de toneladas de aço. De lá para cá, vem crescendo, mesmo com o governo colocando barreiras. Em meados de 2024 a junho de 2025, a importação está no ritmo de 6 milhões de toneladas. São quase 300% de acréscimo em cinco a seis anos. Essa concorrência é um problema para o Brasil e para a América Latina. Estamos tratando do tema no âmbito da Alacero (Associação Latino-americana do Aço).

Como estão os debates sobre a questão da concorrência com a China?

Esses dois anos que fiquei à frente da Alacero (seu mandato terminou durante o congresso em Cartagena, Colômbia) foram dedicados a tratar do tema da mesma forma que estamos tratando no Brasil. Cada vez mais, tem havido a união dos países da América Latina e associações de empresas privadas, formando o, vamos dizer assim, arcabouço para debater a proteção do mercado, como ocorre na Europa. Os Estados Unidos estão querendo fechar o bloco da América do Norte, com Canadá e México. Então, por que não algum trabalho na América Latina? Esse foi até o pano de fundo da minha fala de abertura do Alacero Summit 2025. A gente se preocupa com a importação direta e indireta do aço chinês, que tem preço subsidiado, com concorrência desleal.

Apesar de a medida não ter a eficiência necessária, a gente tem que reconhecer que foi a primeira vez na história que o Brasil fez uma ação de defesa comercial, que foi a cota tarifária implantada em junho de 2024, que vai até junho do próximo ano. Mas a importação da China continua em um nível alto. Então, esse é o ponto. Medidas de antidumping que estão em curso, em final de investigação, têm que ser efetivadas. Esperamos a conclusão. As investigações já apontaram o dano potencial no mercado brasileiro. Até o final do primeiro trimestre de 2025, tem que haver um parecer. Já temos uma defasagem nessa proteção; estamos sendo prejudicados. Outros países, como europeus e Estados Unidos, têm respostas mais rápidas contra a concorrência desleal da China. Uma das investigações de antidumping é para fio-máquina no setor de aços longos. Tem a de bobina quente também, que a investigação é mais recente porque o processo foi aplicado depois, então isso vai até o final do próximo ano. Muita demora.

O que já está sendo feito tem algum efeito?

Já caiu a importação de alguns produtos longos e alguns planos. Os importadores estão pagando 25% de sobretaxa. Mas ainda é pouco.

Vocês e a cadeia do aço trabalham juntos? Como são os compradores de aço nessa equação?

Nós chamamos para a conversa a cadeia do aço, como máquina e equipamentos, mas outras cadeias também: calçados, têxtil e brinquedo. Também prejudicadas pela importação. Até então, não estamos tendo nenhuma dificuldade. A gente entende que o diálogo continua sendo o melhor caminho.

Ela responde por 40% a 42% da produção de aço no Brasil. É, de fato, a maior empresa dentro do país no setor. Temos aços planos, aços longos, biofloresta e mineração. São os quatro negócios da empresa, dos quais mineração e biofloresta alimentam, por exemplo, nossa usina de Juiz de Fora (MG). Temos um projeto agora para exportar pellet feed para nossa unidade no México através do Brasil. Então, é uma operação importante. Somos uma empresa que vem investindo no Brasil. Estamos terminando agora um ciclo de mais de R$ 25 bilhões de investimento desde 2022. E temos apetite para continuar investindo.

Tem planos para mais investimentos?

Estamos em estudo para isso: investir lá no Espírito Santo, em uma linha de galvanização, já que completamos a nossa jornada em Santa Catarina. O nosso site lá está todo ocupado. Fizemos aquisição lá em Santa Catarina. Mas, obviamente, esse apetite para investimentos vai depender da questão das importações, se vai permitir que a gente invista no Brasil. Depende da proteção de nosso mercado contra a concorrência desleal. A gente tem o apetite de investir. Não só no Espírito Santo, mas em algum outro projeto. Eu diria de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões. O plano pode prever um laminador, ou no Espírito Santo, ou no Ceará. Será laminado a quente, pois tem mais mercado. Mas essa coisa precisa se ajustar (referindo-se à questão dos importados chineses, que tanto preocupam o setor). Para a produção de bobina quente, a gente também planeja fazer o investimento. São projetos para iniciar a operação em 2029.

E os investimentos em João Monlevade, podem entrar nesse novo ciclo de investimentos?

Com a integração da Votorantim Longos (há alguns anos), atingimos o mesmo patamar de capacidade que teríamos com João Monlevade. Agora, nosso foco é outro: queremos crescer em aços planos e galvanizados, produtos de maior valor agregado.

A Europa impôs cotas para o aço importado. A partir da cota, tarifa de 50%. Essa é uma alternativa. São várias alternativas. Tem que avaliar. O governo brasileiro está fazendo um trabalho, temos que reconhecer isso, mas o avanço da China está aí e tem que ter reação. Seriam cotas? Sobretaxas de 50%? São alternativas. Aqui, na América Latina, cada país tem um acordo comercial. Mas uma ação conjunta tem que ser avaliada.

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