BRASÍLIA – Após meses de leve recuperação, a aprovação do governo Lula voltou a cair. A nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta terça-feira (12/11), mostra que 50% dos brasileiros desaprovam a administração do petista e 47% aprovam.
Ambos os percentuais oscilaram dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Em outubro, a aprovação era de 48% e a desaprovação, de 49%.
No início do ano, os índices estavam em 47% e 49%, respectivamente. Desde maio, quando o governo atingiu o pico de desaprovação, de 57%, os números vinham melhorando de forma gradual.
O levantamento foi realizado em meio à repercussão da megaoperação no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos, tornando-se a mais letal da história do país, e reacendeu o debate sobre a política de segurança pública.
A ação contou com ampla aprovação popular: segundo a Quaest, 67% dos brasileiros disseram aprovar a operação, enquanto 25% a desaprovam.
A violência se tornou a principal preocupação nacional, citada por 38% dos entrevistados, superando a economia (15%), aponta a pesquisa desta terça-feira.
“A estabilidade de Lula é explicada por fatores que se anulam: de um lado, alívio no bolso. Caiu de 88% para 58% a parcela que reclama da alta dos alimentos no supermercado”, analisou Felipe Nunes, diretor da Quaest.
Durante viagem à Malásia, quando se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o petista afirmou que “os traficantes também são vítimas dos usuários”. A reunião ocorreu no último dia 26, em Kuala Lumpur, na Malásia, onde ambos participaram como convidados da 47ª Cúpula de Líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Segundo a Quaest, 81% dos brasileiros discordam dessa frase, enquanto apenas 14% concordam e 5% não souberam responder. A resistência é ainda maior no Rio de Janeiro, onde 85% discordam. Neste caso do Rio, os dados são de outubro.
Brasileiros acham que Lula saiu mais forte após encontro com Trump
Por outro lado maioria dos brasileiros avaliou positivamente o desempenho de Lula após o encontro com Donald Trump. Para 45% dos entrevistados, o petista saiu mais forte politicamente da reunião com o presidente norte-americano, enquanto 30% acreditam que ele ficou mais fraco. Para outros 10%, o presidente saiu igual e 15% não souberam ou preferiram não opinar.
O levantamento também mostrou otimismo quanto às relações comerciais entre os dois países. Questionados sobre a possibilidade de um acordo para reduzir tarifas, 51% afirmaram acreditar que Lula e Trump chegarão a um entendimento, ante 39% que consideram improvável uma convergência entre os dois líderes.
- Violência no topo: 38% apontam a segurança pública como principal problema do país, o maior índice desde 2023.
- Operações policiais: 67% aprovam a ação nos complexos do Alemão e da Penha, e 73% defendem classificar organizações criminosas como terroristas.
- Endurecimento da lei: 88% apoiam penas mais severas para integrantes do crime organizado e 65% são favoráveis à restrição de visitas íntimas em presídios.
- Repercussão internacional: 65% tomaram conhecimento do encontro entre Lula e Donald Trump; entre eles, 45% avaliam que o presidente saiu mais fortalecido.
A Quaest entrevistou presencialmente 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre 6 e 9 de novembro. O nível de confiança é de 95%.


