A possível privatização da Copasa causa preocupação entre consumidores e servidores da companhia, que temem aumento das tarifas, piora na qualidade dos serviços e demissões em massa. Atualmente, nem todas as cidades de Minas Gerais têm o abastecimento de água e o tratamento de esgoto sob responsabilidade da estatal. Dos 853 municípios mineiros, 637 são atendidos pela Copasa, 23 contam com gestão privada e, em 193, as prefeituras administram diretamente o saneamento.
Em Rio Acima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e em Pará de Minas, no Centro-Oeste, o serviço é prestado sem a participação da Copasa. No primeiro caso, a própria prefeitura é responsável pelo abastecimento; no segundo, uma empresa privada atua há cerca de dez anos.
Em Rio Acima, os moradores não pagam pelo serviço, que é totalmente custeado pelo município. Ainda assim, há reclamações sobre desabastecimento frequente. Já em Pará de Minas, a avaliação predominante é de que o serviço melhorou após a privatização, sem aumento expressivo nos custos.
Segundo dados de 2022 do Instituto Água e Saneamento, 99,03% da população de Rio Acima tem acesso à água encanada — índice superior às médias estadual (83,84%) e nacional (84,24%). Em relação ao esgotamento sanitário, 86,54% dos moradores são atendidos, também acima das médias de Minas (76,2%) e do Brasil (55,5%).
Apesar dos bons números, moradores relatam que o fornecimento é irregular. A falta de água é uma queixa constante, especialmente em bairros mais altos. “A qualidade da água é boa, mas o problema é que falta muitos dias. Isso é um desrespeito com a população”, afirmou o pedreiro Anderson Fernando Seabra, de 43 anos, morador do bairro Vila Duarte.
A balconista Daniela Ferreira, de 23 anos, também relata dificuldades e nota diferenças entre regiões próximas. “Às vezes, na minha casa não tem água, mas o vizinho da frente tem”. Daniela, que morava em Santa Luzia, compara as experiências e afirma que preferia o serviço prestado pela Copasa. “Apesar de pagar pela água lá, não faltava e não tinha cheiro forte de cloro, como aqui”, comentou.
Com pouco mais de 10 mil habitantes, segundo o Censo de 2022, Rio Acima enfrenta problemas de abastecimento até mesmo na região central. “Falta água todo dia, mas a gente não sente tanto porque costuma acontecer quando estamos fora de casa”, contou o autônomo Fábio de Souza, de 50 anos.
A moradora Cristina Estevam Dias, de 34, relatou que já ficou mais de 20 dias sem abastecimento. “Uma situação deplorável. Tinha água na mercearia embaixo da minha casa, mas não chegava pra mim”, afirmou.


