O cheiro do fruto redondo e amarelado é polêmico. Há quem ame, e outros que odeiam. Mas, uma coisa é fato: o pequi, considerado por muitos como o “ouro do Cerrado”, é um símbolo gastronômico e cultural do Norte de Minas. Além disso, gera renda extra para milhares de famílias e movimenta altas quantias por ano. De acordo com a Prefeitura de Montes Claros, só em 2024 a região produziu 170 mil toneladas do fruto e movimentou cerca de R$ 250 milhões.
De acordo com Glenn Andrade, secretário de aceleração econômica de Montes Claros, como não há “plantações de pequi”, o fruto geralmente é colhido livremente pela população em regiões de mata nativa. Segundo ele, cerca de 30 mil famílias de agricultores participam diretamente da economia do pequi e as principais cidades produtoras são Montes Claros, Mirabela, Japonvar, Ubaí e Campo Azul.
“O período da safra, que vai de novembro a fevereiro, é um momento de alegria no cerrado mineiro. As famílias contam muito com essa renda extra no fim de ano. Muitos vendem para atravessadores, que revendem para outras cidades, enquanto outros comercializam diretamente nas estradas para não perder parte do lucro”, explica.
Segundo ele, 70% da comercialização do pequi colhido no Norte de Minas acontece em Montes Claros, onde também é realizado grande percentual de seu beneficiamento.
Em janeiro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou um projeto de lei que cria uma política nacional para o manejo, plantio, extração, consumo, comercialização e transformação do pequi e outros frutos do Cerrado. Entre as medidas previstas na lei, está a proibição da derrubada e do uso predatório de pequizeiros, exceto quando autorizada por órgão competente. De acordo com o secretário, atualmente há cerca de 2,5 milhões de plantas (pés de pequi) produtivos na região.
Diversos usos
Glenn Andrade explica ainda que a forma mais comum de comercialização do fruto é no modo in natura, congelado e embalado à vácuo. “No entanto, também é produzido o filé de pequi, que é a lâmina da polpa, sem espinhos e sem a castanha. Também há o fruto em conserva, a venda das castanhas e a extração do óleo, que é exportado principalmente para a França”, afirma.
Entre os exemplos mais expressivos está a Cooperativa Grande Sertão, sediada em Montes Claros, referência nacional e internacional. Em 2024, ela processou cerca de 632 toneladas de pequi in natura, provenientes de 13 municípios do APL. O volume gerou R$ 253 mil distribuídos entre os cooperados, resultando em produtos como pequi congelado, polpa, óleo e farofa, com valor agregado de cerca de R$ 2,5 milhões.
Impacto cultural
Além de gerar renda extra para coletores e fomentar negócios para cooperativas, o “ouro do Cerrado” também ajuda a movimentar a economia sendo o protagonista da tradicional Festa Nacional do Pequi, que chega à 32ª edição neste ano – de 7 a 9 de novembro. Realizada em Montes Claros, a festa é gratuita e conta com diversas atrações musicais e gastronômicas.
Serviço
Festa Nacional do Pequi
Data: 7 a 9 de novembro
Horários:
Sexta e sábado: das 18h à 0h
Mercado Municipal: 9h às 17h (sábado e domingo)
Atrações: Tuia e Guarabyra, Pereira da Viola, A Outra Banda da Lua, Orquestra de Violas, Pequi Trio, entre outros artistas.


