Mesmo sem nenhum caso confirmado de intoxicação por metanol em Belo Horizonte, a crise envolvendo a contaminação de bebidas alcoólicas com a substância, que tem o epicentro em São Paulo, gerou um efeito cascata aos bares e restaurantes da capital mineira. Passado um mês desde os primeiros relatos de sintomas em pacientes, o setor contabiliza uma queda de 40% nas vendas de drinks e bebidas destiladas.
Em alguns casos, a redução na comercialização foi convertida no aumento do consumo de vinhos e espumantes nos estabelecimentos. Por outro lado, alguns empresários observaram queda no faturamento mensal com o temor de parte da população em consumir produtos que levam destilados como vodka, whisky e tequila na composição. Em todo o Brasil, são 58 casos e 15 mortes confirmadas, de acordo com o Ministério da Saúde.
O presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte e Região Metropolitana (SindiHBares), Mário Arthur, explicou que o maior impacto se deu nos primeiros dias após a veiculação de notícias envolvendo a intoxicação por metanol. “Inicialmente, teve um impacto grande. Em média, a venda de drinks caiu 100% nos primeiros dias e depois, a partir da pesquisa que fizemos, vimos que a queda foi de 42% na venda de drinks e bebidas destiladas”, disse.
De acordo com o presidente do SindiHBares, no último mês houve um aumento pequeno na comercialização de cerveja e chope, movimento que não compensou as perdas com a negativa da clientela aos drinks. Por outro lado, vinhos e espumantes ganharam a preferência dos clientes e as vendas dos produtos subiram 53%.
“Agora, as coisas estão se acalmando. A população está se conscientizando sobre o assunto. Também fizemos uma campanha muito grande aos donos de bares ensinando sobre o descarte correto de garrafas e orientando para que a compra de bebidas seja feita com distribuidores autorizados ou diretamente dos fabricantes”, completou Mário Arthur.
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Minas Gerais citou que uma pesquisa feita em parceria com a Stone mostrou que as vendas em setembro no setor caíram 2,4%. O resultado diverge do registrado historicamente, já que o mês é impulsionado por datas como o Dia dos Pais. A Abrasel, porém, destacou que a redução tem outras causas além do metanol, como o avanço da inflação.
“Apesar da crise do metanol ter gerado uma queda significativa na demanda por destilados, a Abrasel tem atuado de forma ativa para reconstruir a confiança dos consumidores e orientar os empresários”, disse a associação que projeta um aumento nas vendas com a chegada das confraternizações e festas de fim de ano.
Empresário vê faturamento cair 20%
Proprietário do Amadís, casa tradicional da avenida Fleming, no bairro Ouro Preto, o proprietário Renato Godinho calculou uma redução de 40% no consumo dos destilados. O estabelecimento, inclusive, tem nos drinks um dos principais atrativos aos clientes. “E isso me gerou um também uma redução de 20% no faturamento do mês de outubro, até agora, relacionado ao mesmo período do ano passado e vejo um vínculo muito grande com essa questão do metanol”, calculou.
Renato Godinho observou uma mudança nos hábitos dos clientes, que passaram a consumir outras bebidas e até mesmo drinks sem álcool. “Isso nos ajudou um pouco para que a casa mantenha, embora com uma margem diferente, o ticket médio”, relatou. “Eu acredito que a gente está atravessando a crise com uma certa resiliência, tendo um foco real no relacionamento com o cliente e também aproveitando para mostrar um pouco mais os outros aspectos do bar. Muita gente às vezes nem sabe que a gente trabalha muito bem com os petiscos mineiros, com cervejas especiais, vinhos também. Então a gente está aproveitando esse momento ali para focar em outros produtos”, complementou.


