A Câmara Municipal de Itaúna, na região Centro-Oeste de Minas, acatou um pedido de denúncia contra o vice-prefeito da cidade, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto (PL) – investigado pela Operação Rejeito, que mira esquema de órgãos ambientais no estado em prol de mineração ilegal. Com isso, foi instaurada uma comissão processante para apurar a responsabilidade do acusado e, posteriormente, decidir sobre uma eventual perda e cassação de mandato.
A denúncia foi protocolada por representantes do PSOL e do PT na cidade e teve como base o “sumiço” do vice-prefeito desde a operação da Polícia Federal. Hildebrando é acusado de participar ativamente de um grupo de WhatsApp usado para tratar de atividades ilícitas, além de ter sido sócio de uma mineradora citada no inquérito e aparecer em conversas interceptadas como articulador de atos de corrupção.
O vice-prefeito está fora da cidade desde 15 de setembro, quando viajou para os Estados Unidos, dois dias antes da operação da Polícia Federal ser deflagrada. Há um pedido de prisão preventiva contra ele.
A Lei Orgânica de Itaúna prevê que tanto o prefeito quanto o vice-prefeito da cidade precisam de autorização do Legislativo para se ausentar do país por mais de 15 dias, o que não teria ocorrido. A Câmara da cidade havia informado, anteriormente, que casos de infrações político-administrativas do Executivo seriam apuradas apenas a partir da formalização de denúncia “assinada por cidadão”.
Com a queixa formalizada na Casa, os vereadores avaliaram as acusações em plenário na última terça-feira (21/10). Dos 17 parlamentares, 10 foram favoráveis à denúncia, cinco se abstiveram de votar e um se posicionou contra – José Humberto Santiago Rodrigues (PL), que é tio do investigado.
Na mesma sessão, a Câmara também instituiu uma comissão processante para apurar as acusações contra o vice-prefeito, bem como para julgar o processo de cassação do mandato no Executivo. O colegiado será presidido pelo vereador Gustavo Barbosa (Republicanos) e tem como integrantes Dalmo Assis (PRD) e Guilherme Rocha (Novo).
Ao Aparte, o presidente da Comissão, Gustavo Barbosa, informou que o colegiado deve iniciar os trabalhos nesta semana.
A Prefeitura de Itaúna também foi procurada. Em nota, o Executivo municipal lembrou que, após a Operação Rejeito ser deflagrada, o salário de Hidelbrando foi suspenso, além dele ter sido afastado do cargo de secretário do Meio Ambiente, que acumulava junto com o de vice-prefeito. A administração municipal reforçou que, até então, o investigado não apresentou comunicação formal ou informações oficiais sobre sua localização.
Além do mandado de prisão preventiva, a Justiça Federal determinou o sequestro e a indisponibilidade de todos os bens imóveis, a apreensão, arresto e sequestro de veículo do vice-prefeito de Itaúna via Renajud (Restrições Judiciais Sobre Veículos Automotores).


