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Atraso de governo Tarcísio leva Ministério da Saúde a segurar balanço de intoxicações por metanol

Apesar de o consolidado ter sido divulgado duas horas e meia após horário habitual, Padilha refuta contornos políticos, mas faz críticas veladas

O atraso do estado de São Paulo em atualizar os dados de intoxicação por metanol levou o Ministério da Saúde a adiar, por algumas horas, nesta segunda-feira (6/10), a divulgação do número consolidado no Brasil. Em meio às especulações de uma candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2026, o ministro Alexandre de Padilha afastou a hipótese de contornos políticos na decisão, mas fez críticas veladas a Tarcísio em coletiva de imprensa.

Até esta segunda, o Ministério da Saúde divulgava diariamente o consolidado de intoxicação por metanol às 17h, uma hora após o prazo dado aos estados para enviar os dados locais ao Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs). Em razão do atraso do governo Tarcísio, a pasta divulgou o balanço nesta segunda apenas às 19h36, duas horas e meia depois do horário rotineiro.

Logo ao abrir a coletiva na sede do Ministério da Saúde, Padilha ressaltou que não divulgaria o consolidado porque São Paulo não havia enviado os dados locais de intoxicação por metanol até às 16h. “Então, nós estamos optando por aguardar a divulgação dos dados nacionais às 19h. Chegando ou não os dados de São Paulo, nós vamos fazer a divulgação do que tem de consolidado nacional às 19h”, afirmou.

Ao ser questionado se havia uma razão para o atraso, o ministro sugeriu que poderia ser o volume de registros por intoxicações de metanol no estado, onde, disse, há uma “concentração brutal”. “Dos 16 casos até agora confirmados, 14 são em São Paulo e dois são no Paraná, que faz divisa com São Paulo. Ainda tem 178 casos suspeitos — não confirmados ou descartados. Então, é possível que seja pelo volume de dados”, respondeu.

Padilha ainda evitou comentar a declaração dada por Tarcísio mais cedo, quando o governador afirmou que começaria a se preocupar com a adulteração de bebidas se chegasse à Coca-Cola. “No dia que começarem a falsificar Coca-Cola, vou me preocupar. Ainda bem que não chegaram a esse ponto”, brincou o ex-ministro, em coletiva à imprensa após uma reunião do gabinete de crise instalado para monitorar intoxicações por metanol no estado.

Apesar de ter se esquivado, o ministro da Saúde alfinetou Tarcísio. “O Ministério da Saúde preza pela vida”, respondeu. “Na área da saúde, a gente sempre age, não espera nada tomar grandes proporções nem busca minimizar qualquer problema de saúde. A gente age a partir da primeira identificação de situação anormal, como foi identificado”, frisou Padilha, acrescentando que “cada vida vale”, em referência velada ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Mais tarde, questionado se enxergava contornos políticos no atraso de São Paulo, o ministro refutou. “Tenho tido uma relação sintonizada, alinhada, um trabalho de cooperação de forma permanente. Desde o começo, quando o Ministério da Saúde percebeu essa situação anormal em São Paulo, há uma ação alinhada com a Secretaria de Estado de Saúde, que é o que nos cabe enquanto Ministério da Saúde. Não acompanho as outras ações”, pontuou.

Dos 217 registros de intoxicações por metanol divulgados no consolidado desta segunda, 82,49% são em São Paulo. O estado concentra 15 dos 17 casos já confirmados e 164 dos 200 ainda sob investigação. As duas mortes até agora confirmadas e seis das 12 suspeitas por contaminação pela substância tóxica também ocorreram em São Paulo.

Após comunicar o atraso de São Paulo, Padilha anunciou que o Ministério da Saúde colocará a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) à disposição do governo Tarcísio para aumentar a capacidade de exames laboratoriais diários para confirmar ou descartar as suspeitas. De acordo com o ministro, a Fiocruz irá se estruturar até o fim desta semana para informar quantos testes por dia poderá absorver.

O desencontro entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governo Tarcísio não é o primeiro desde os primeiros registros de intoxicações por metanol. Ambos já divergiram quanto às linhas de investigação das suspeitas. Na última terça (29/9), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que há uma possível conexão com investigações sobre a importação de metanol para adulterar combustíveis.

No mesmo dia da declaração de Andrei, Tarcísio afirmou que não há evidências da participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas intoxicações por metanol. “Tem esse negócio em São Paulo. Tudo que acontece é o PCC. Só para deixar claro: não há evidência nenhuma da participação do crime organizado nisso. (…) São pessoas que fraudam rotineiramente bebidas”, sugeriu o governador.

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