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‘Falta apontar os padrinhos políticos da organização’, diz relator da CPI do INSS

Após depoimento do ‘Careca do INSS’, colegiado pretende ouvir parentes próximos, mas ainda sem data marcada

BRASÍLIA – O relator da CPMI do INSS, o deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que ainda é preciso descobrir quem são os “padrinhos políticos” do esquema de fraudes contra os aposentados.

Após o depoimento de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, nesta quinta-feira (25/9), Gaspar diz acreditar que ele é apenas um intermediário do esquema, que seria encabeçado por outras lideranças.

“Nós precisamos sair um pouco dessa organização criminosa, que já está bem definida. Só falta apontar os padrinhos políticos dessa organização e ir atrás dos R$ 4,5 bilhões, que as organizações criminosas ainda estão com esse dinheiro no bolso. Ou seja, a CPMI tem muito trabalho pela frente”, disse o relator.

Apesar de no depoimento Antunes ter negado participação em qualquer irregularidade no INSS, Gaspar diz que não há dúvidas em relação ao “comportamento” de “desvio de recursos” por parte do empresário, apontado como o operador do esquema.

A CPMI também já aprovou a convocação de Tania Carvalho dos Santos, esposa do “Careca do INSS”, e do filho dele, Romeu Carvalho Antunes. Segundo o relator, ambos ainda serão ouvidos pelo colegiado, em data ainda a ser marcada.

“Ele veio pra cá na condição de investigado. Foi livre pra falar de acordo com suas conveniências. Já a esposa e o filho vêm pra cá na condição de testemunhas. A vinda dele aqui já nos adiantou algumas informações, mesmo que não verdadeiras. Mas nós já descartamos algumas linhas. […] Assim que tiver uma brecha na agenda, eles serão ouvidos”.

A próxima reunião da CPMI do INSS acontece na próxima segunda-feira (29/9), quando devem ser ouvidos o presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, e o empresário Fernando Cavalcanti, apontado como sócio do Careca do INSS.

Sessão é marcada por bate-boca

A reunião desta quinta-feira da CPMI foi marcada por tumulto entre parlamentares e o depoente e seu advogado, Cleber Lopes.

O bate-boca começou quando Antônio disse que não responderia às perguntas do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), acusando-o de já tê-lo condenado antes mesmo de ouvi-lo. A confusão começou logo depois, quando o deputado rebateu, afirmando que Antônio seria o “autor do maior roubo contra aposentados e pensionistas do Brasil”. A Polícia Legislativa foi chamada e a sessão suspensa provisoriamente.

Perto do fim dos trabalhos, o deputado Delegado Caveira (PL-PA) também bateu boca com Lopes, ao dizer que ele é um “péssimo advogado”, pago com dinheiro de lobby. Cleber Lopes acusou o parlamentar de cometer abuso de autoridade, até que Caveira foi advertido pelo presidente da comissão, o senador Carlos Viana (Podemos-MG).

 

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