BRASÍLIA – O presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que a pré-candidatura do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, à Presidência da República em 2026 é “o projeto mais claro e consistente” do partido. Para ele, Zema reúne credenciais eleitorais e políticas que o colocam como protagonista em um cenário de fragmentação da direita.
“De todos os governadores outsiders eleitos em 2018, Zema foi o único que sobreviveu e se consolidou, com uma reeleição expressiva no primeiro turno. Isso naturalmente o credencia para disputar a Presidência”, disse Ribeiro.
Eduardo Ribeiro argumenta que Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, é “um retrato do Brasil” e que vencer nesse estado dá força nacional a qualquer candidatura.
A aposta do Novo em Zema, no entanto, contrasta com desafios evidentes. O governador, que chegou ao cargo em 2018 sob o rótulo de outsider – ou seja, quem entra na política sem fazer parte do meio político tradicional –, já acumula seis anos de mandato e enfrenta críticas por declarações polêmicas, como ao se referir à população em situação de rua como “chiqueiros humanos”.
Partido avalia que declarações polêmicas de Zema são estilo de comunicação
Para Ribeiro, essas falas fazem parte de um estilo direto de comunicação que não será suavizado na campanha. “O governador tem um perfil claro e transparente. Ele não vai mudar, e foi justamente por isso que se reelegeu”, defendeu.
A crítica recorrente de que Zema se aproxima do discurso bolsonarista também foi rebatida. O dirigente partidário sustenta que o Novo se posiciona de forma independente, mas que hoje defender “as liberdades individuais contra abusos do STF e os excessos do governo Lula” é uma pauta essencialmente liberal.
Ainda assim, a insistência nessa narrativa pode reforçar a percepção de que a legenda busca ocupar o espaço deixado por Jair Bolsonaro (PL), especialmente diante da dificuldade de apresentar um diferencial claro no campo da direita.
Governador precisa ser mais conhecido fora de Minas
O próprio Ribeiro reconhece que o grande desafio de Zema será expandir sua imagem para além de Minas Gerais.
“Ao se tornar mais conhecido fora do estado, ele naturalmente crescerá nas pesquisas”, afirmou. O projeto, segundo o dirigente partidário, já está atrelado à sucessão no governo mineiro e não contempla alternativa como a vice-presidência em outra chapa.
Com isso, o Novo aposta todas as fichas na candidatura presidencial de Zema, em meio a um tabuleiro dominado por siglas de maior capilaridade, como PL, Republicanos e União Brasil.


