PolíticaBolsonaroCondenação por golpe amplia inelegibilidade de Bolsonaro

Condenação por golpe amplia inelegibilidade de Bolsonaro

TSE declarou Bolsonaro inelegível por maioria de votos, em junho de 2023, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação

BRASÍLIA – Condenado à prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro (PL) já não poderia concorrer à eleição presidencial porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o declarou inelegível por 8 anos, impedindo-o de disputar cargos até 2030.

A condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) agrava a situação tornando-o ficha suja. E pela lei da Ficha Limpa, que se aplica a ele por ter cometido crime contra a administração pública e contra a coletividade, Bolsonaro fica inelegível por 8 anos após o cumprimento da pena.

Significa que ele só poderia voltar a disputar eleições oito anos depois que terminar de cumprir a sentença de 27 anos e 3 meses imposta a ele por decisão da Primeira Turma do STF.

Por que Bolsonaro está inelegível?

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral declarou Bolsonaro inelegível por maioria de votos em julgamento que aconteceu ainda em 2023. Apenas os ministros Kássio Nunes Marques e Raul Araújo votaram contra a punição. Votaram pela inelegibilidade o relator Benedito Gonçalves e os ministros Floriano de Azevedo Marques, André Ramos Tavares, Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes.

A avaliação da Corte é que Bolsonaro cometeu abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação na reunião com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada em 18 de julho de 2022. No encontro, o ex-presidente pôs em xeque a validade das eleições e usou a estrutura pública para atacar o Supremo Tribunal Federal com desinformação e notícias mentirosas.

Bolsonaro recebeu, ainda, uma segunda condenação à inelegibilidade, também por abuso de poder. O TSE declarou o ex-presidente inelegível, novamente, em ação que também condenou o general Braga Netto, que concorreu como vice na chapa derrotada de Bolsonaro na última eleição. Os dois foram punidos pelas comemorações do Bicentenário da Independência em 7 de setembro de 2022, em Brasília e no Rio de Janeiro.

A Corte concluiu que Bolsonaro e Braga Netto usaram a data, bens, serviços e recursos públicos com finalidade eleitoreira, transformando o 7 de setembro em ato de campanha para apoiadores dos candidatos.

A segunda condenação, entretanto, não se acumula à primeira porque os 8 anos de inelegibilidade também começaram a contar em 2022. Assim, Bolsonaro não foi declarado inelegível por 16 anos pela soma das duas condenações; são, na realidade, condenações de 8 anos que começaram a contar na última eleição presidencial, tornando-o inelegível, portanto, até 2030.

A sentença aplicada pelo STF no âmbito do inquérito do golpe agrava a situação porque Bolsonaro só poderia se candidatar depois de cumprir os 27 anos e 3 meses de prisão e ainda outros 8, previstos na Lei da Ficha Limpa.

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