PolíticaALMGInterferência do governo Zema na votação da Artemig causa mal-estar na Assembleia

Interferência do governo Zema na votação da Artemig causa mal-estar na Assembleia

Votação do projeto na Comissão de Administração Pública da ALMG precisou ser paralisado por cerca de duas horas após requerimento de deputado da base

Uma interferência da base de governo de Romeu Zema (Novo) para a votação do projeto que cria a Agência Reguladora de Transportes do Estado de Minas Gerais (Artemig) na Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais causou um mal-estar entre parlamentares na tarde de terça-feira (18 de março). A reunião chegou a ser paralisada por pelo menos duas horas para que o presidente da Casa, Tadeu Leite (MDB), analisasse a situação entre parlamentares.

Zema foi criticado por parlamentares logo no início da cerimônia, quando um requerimento foi apresentado pelo deputado estadual Charles Santos (Republicanos), que é parte da base do governador. Apesar de haver várias matérias previstas para serem discutidas, o texto apresentado pelo parlamentar fez com que a pauta fosse limpa, deixando apenas o Projeto de Lei 2.967 de 2024 na ordem do dia. Segundo o grupo contrário a Romeu Zema, outros requerimentos haviam sido apresentado antes do que foi apreciado pela presidência da Comissão, o que teria causado prejuízo às negociações.

Inicialmente, o grupo não recebeu apoio do presidente da comissão, Adalclever Lopes (PSD). Os deputados Beatriz Cerqueira (PT), Sargento Rodrigues (PL) e Professor Cleiton (PV) chegaram a deixar a sessão após uma questão de ordem de Ulysses Gomes (PT) solicitando anulação do requerimento de Santos ser negada. A reunião seguiria sem participação dos parlamentares, mas foi paralisada minutos depois da saída deles.

“Aconteceu uma tentativa, por orientação do governo, de atropelar um processo, desrespeitar o debate, a construção que estava tentando ser feita a partir de um acordo. Era um diálogo que a oposição estava tentando fazer, tentando melhorar o que eu posso chamar de mal necessário”, definiu Gomes, líder do bloco Democracia e Luta. A discussão com participação de quase todos os deputados estaduais da Comissão foi retomada cerca de duas horas depois, após uma reunião com presidente da ALMG, Tadeu Leite (MDB), que acatou a questão de ordem.

“O governo tentou atropelar o processo, negando um protocolo que nós havíamos feito anteriormente a requerimentos de obstrução para ganharmos tempo. O governador, através dos seus membros, orientou que fosse apresentado outro requerimento que anulasse os nossos, negando inclusive a ordem. Nós ‘chamamos o VAR’ e o vídeo mostra muito claramente que protocolamos primeiro, estávamos aguardando esse encaminhamento e eles atropelaram, tentaram nos enganar nesse sentido”, declarou Gomes após a reunião. “O governo não pode atropelar o debate, desrespeitar o regimento. Nossa posição de oposição não é somente ao debate do mérito, mas a forma é fundamental, com respeito e diálogo, prevaleceu isso graças ao entendimento do presidente Tadeu e do presidente da comissão, Adalclever”, completou.

Já o líder do Governo, João Magalhães (MDB), negou interferências por parte do governo Zema e membros da base. “Não houve nenhum atropelo, houve um erro da assessoria, foi superado com a questão de ordem. O presidente Adalclever sabiamente voltou atrás e recomeçou a votação e (o projeto) foi aprovado praticamente por unanimidade, com apenas dois votos contrários do bloco de oposição”, apontou. “A oposição tem feito um trabalho sistemático contra o governo, o que é papel da oposição. Ela não tem selecionado projetos para fazer oposição. A oposição é ao governo e o nosso trabalho é de aprovar, votar”, encerrou.

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