Prefeito de Recife, que faz sucesso nas redes sociais, é visto como exemplo dentro do campo da esquerda
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe, nesta quinta-feira (16), o prefeito do Recife (PE), João Campos, no Palácio do Planalto. Até esta manhã, o encontro não constava na agenda oficial do petista.
Assessores de ambos afirmam que a reunião teve como pauta ações administrativas para a capital pernambucana. De acordo com auxiliares do presidente, o encontro foi a pedido do próprio prefeito, para agradecer a Lula pelo apoio à sua reeleição na prefeitura e tratar de assuntos do Recife. A agenda durou cerca de trinta minutos.
No entanto, havia uma expectativa de que a comunicação do governo também estivesse na pauta, no momento em que o Planalto encontra dificuldades para encaixar um discurso junto à população e sai derrotado na disputa de narrativas sobre a instrução da Receita Federal para o Pix.
Além disso, a Secretaria de Comunicação (Secom) do governo Luiz Inácio Lula da Silva, agora sob o comando do ministro Sidônio Palmeira, passará a contar com uma ex-assessora da equipe de comunicação de João Campos: Mariah Queiroz. Ela irá chefiar a Secretaria de Estratégias e Redes, antes coordenada por Brunna Rosa, nome ligado à primeira-dama Janja da Silva.
É nas redes sociais onde João Campos mais se destaca junto à população – não só os recifenses, como pessoas de outros estados. Com um estilo mais despojado, as redes sociais do prefeito publicam vídeos com coreografias, falas em linguagem acessível e em situações que fogem do trivial para um político tradicional.
Enquanto isso, a comunicação do governo Lula ainda é considerada demasiado “analógica” para o contexto atual. Um dos objetivos de Sidônio Palmeira é fortalecer as redes sociais do presidente e de contas ligadas à gestão federal e ter mais efetividade ao rebater argumentos da oposição, que mostra força nas plataformas digitais.
Mais do que nunca, a Secom de Lula está no centro das atenções. Aliados do presidente culpam falhas de comunicação pela crise que culminou na suspensão da instrução normativa da Receita Federal que atualizava as normas de fiscalização de transferências feitas por Pix e gerou apreensão em parte da população. O presidente espera que com uma nova equipe à frente da pasta, o cenário comece a mudar.


