Especialista alerta para os riscos de manter o ritmo acelerado no período que deveria ser de descanso e relaxamento
No dicionário, férias significa “dias que se destinam ao descanso; mudança da rotina que ajuda a restaurar a disposição”. Porém, como perpetuou o ditado, muitas vezes “na prática, a teoria é outra”. Atualmente, crescem os relatos de pessoas que afirmam voltar ainda mais cansadas das férias do que na ida, ou seja, precisando de “férias das férias”.
Segundo ela, essa atividade ininterrupta é prejudicial ao sistema nervoso, “que demanda frequências diferentes no sentido de ativação, ação e repouso”. “A gente precisa estar intercalando essas pausas”, destaca Cristina. A consequência seria a falta de sinapses no cérebro, responsáveis pela comunicação entre os neurônios, levando a um quadro de estresse crônico.
“Se a pessoa não está acostumada a se permitir descansar, a tendência é ela entrar nas férias no mesmo ritmo alucinado”, resume a especialista, que dá como exemplo “aquelas pessoas que querem conhecer cinco países em uma semana”. Quimicamente, o comportamento pode ser explicado “pela produção de adrenalina no corpo”, o que, de acordo com a terapeuta, “é viciante”. “É como se fosse uma fome, a pessoa vai querer mais e mais daquele estímulo”, conta.
Para a advogada Amanda Maciel, 35, “existe uma pressão social para que você aproveite muito o seu momento de férias, ainda mais com as redes sociais, porque você precisa postar que está aproveitando, curtindo”. “Principalmente, você tem que viajar, senão não conta como férias, e aí você se organiza e esquece de colocar na agenda o descanso que é o objetivo principal das férias”, avalia a advogada.
Antes de uma viagem, Amanda procura “conhecer a região através de posts na internet para descobrir quais são os pontos turísticos que valem a pena visitar, como chegar até eles; se for uma viagem internacional, a relação com a moeda, onde trocar dinheiro”. “Quando chego, gosto de programar dia a dia o que vou fazer, que horas acordar, quais são os horários em que os pontos turísticos não ficam tão cheios, se eu tiver vontade de conhecer algum museu, qual dia é de graça”, enumera.
Relaxamento
Cristina Camargo sugere “passar um tempo na natureza, ir para a cachoeira, caminhar na mata”, como formas de se desconectar das redes sociais e deixar para trás “estímulos e interferências que impedem o corpo de relaxar”. “Existe um centro curador interno, algo em nós, do sistema nervoso, que, quando a gente entra em contato com a natureza, nos auxilia nesse equilíbrio”, garante.
Ela adiciona a organização social como dificultadora e, por isso, essa necessidade de distanciamento. “Vivemos numa civilização traumatizadora, estressante, então, para desacelerar, precisamos procurar outros contextos”, sustenta. Programar esses retiros ou ir para uma pousada rural, “que pode ser a fazenda da vovó”, ajudaria a modificar o ritmo. No entanto, Cristina pondera que é essencial, “ser realista e ter consciência dos objetivos”.
Logo, a primeira dica prática seria “saber o que se quer das férias”. “Se a pessoa está ciente de que o que ela deseja é conhecer vários países mesmo, com um milhão de atividades, pode até ser relaxante para ela, porque não haverá uma expectativa frustrada”, opina Cristina. O cansaço físico seria compensado pelo relaxamento mental.
Bem-estar é sinal de que as férias são proveitosas
Para além da noção de descanso, o conceito de férias diz respeito a um momento de lazer, divertimento, e, principalmente, para a terapeuta holística Cristina Camargo, “deve proporcionar bem-estar”. “Se você está animado, com apetite, dormindo bem, mesmo que as noites de sono sejam mais curtas, mas se você está acordando bem disposto, relaxado, aquilo vai te energizar e esse é um forte sinal de que as férias estão sendo proveitosas, tanto do ponto de vista físico quanto mental e, claro, emocional”, afiança a especialista.


