Nos últimos dez anos, houve uma redução de 25% na taxa de homicídios registrados o país
Nos últimos dez anos, houve uma redução de 25% na taxa de homicídios registrados o país. A taxa era de 28,9 assassinatos a cada 100 mil habitantes em 2012, e passou para 21,7 a cada 100 mil habitantes em 2022 ano com os dados mais recentes analisados pelo Atlas. Era uma taxa mais alta do que em ao menos nove países da América do Sul, segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, por exemplo.
O estudo mostra que, em 2022, o país teve exatamente a mesma taxa de homicídios por 100 mil habitantes do que em 2019. Isso ocorreu logo após uma queda expressiva nesse tipo de crime. O primeiro ano do governo Bolsonaro teve uma queda de 21% nos homicídios, em relação 2018.
“Entre 2019 e 2022, a variação da taxa de homicídio no país foi nula”, ressalta o documento. O Atlas destaca que, durante esse período, a taxa de homicídio cresceu 6% na região Nordeste e 1,2% no Sul. Houve uma redução significantes das mortes violentas no Centro-Oeste brasileiro, de 14%, mas não foi suficiente para levar a tendência nacional a uma redução.
Os pesquisadores do Ipea e do Fórum listam três fenômenos que poderiam ter contribuído mais para a redução dos homicídios no Brasil. Entre elas está a “maior transição demográfica da sua história, a partir do começo dos anos 2000, rumo ao envelhecimento da população”. Eles citam um estudo que calculou uma redução de sete homicídios a cada 100 mil habitantes devido ao envelhecimento, ao longo da década de 2010.
O número de homicídios nessa faixa em dez anos, de mais de 321 mil pessoas, é maior do que a população de cidades como Barueri, na região metropolitana de São Paulo, e Palmas (TO).
Outro fator que contribuiria para a redução dos homicídios, segundo o Atlas, é o controle de armas de fogo a partir de 2003 com o Estatuto do Desarmamento. Segundo uma pesquisa citada no documento, calcula-se em 14 mil vidas poupadas em quatro anos, entre 2004 e 2007, com a diminuição da circulação de armas de fogo produzida pela legislação.
Além disso, os pesquisadores citam mudanças na gestão da segurança pública, como o investimento em inteligência policial e programas focados em prevenção contra a violência.
“Não houve qualquer sinal de melhoria na conjuntura da segurança pública no Brasil no período Bolsonaro”, diz o documento, em sua análise da conjuntura da violência no país. “A tendência de queda das Mortes Violentas Intencionais se exauriu, no rastro de uma legislação armamentista negacionista.”
País pode ter quase 6 mil homicídios não registrados em um ano
Além do número alto de homicídios registrado no país, pode haver uma quantidade ainda maior de mortes que não entraram na estatística oficial. A estimativa do Atlas da Violência é que o Brasil teve 5.982 homicídios ocultos em 2022.
Os dados reunidos na publicação são coletados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinam) dados de violência de notificação compulsória do Ministério da Saúde. O Atlas segue uma metodologia de pesquisa que analisa as características de cada ocorrência de MVCI para determinar se é mais provável que se trate de um homicídio ou não.
Dessa forma, o estudo projeta que o Brasil teve um total de 52.391 homicídios em 2022, e não o número oficial de 46.409 casos registrados.
No período de 2019 a 2022, o total de homicídios ocultos chega a mais de 24 mil casos. “Tais homicídios, cujas causas verdadeiras o Estado não reconheceu, corresponderiam a tragédias invisibilizadas como a queda de 160 Boeings totalmente lotados sem sobreviventes”, diz o documento.
19 estados têm taxa de homicídios acima da média nacional; DF, SP e SC puxam média para baixo
Taxa de homicídios por 100 mil habitantes (2022)
Unidade Federativa – Registrados – Estimados
- Brasil – 21,7 – 24,5
- AC (Acre) – 26,4 – 26,7
- AL (Alagoas) – 33,7 – 34,9
- AP (Amapá) – 40,5 – 41,8
- AM (Amazonas) – 42,5 – 43,5
- BA (Bahia) – 45,1 – 46,8
- CE (Ceará) – 32,6 – 39,0
- DF (Distrito Federal) – 11,4 – 11,7
- ES (Espírito Santo) – 27,7 – 32,6
- GO (Goiás) – 23,1 – 24,4
- MA (Maranhão) – 27,1 – 27,6
- MT (Mato Grosso) – 30,3 – 32,1
- MS (Mato Grosso do Sul) – 19,7 – 22,9
- MG (Minas Gerais) – 12,5 – 14,6
- PA (Pará) – 32,9 – 33,6
- PB (Paraíba) – 27,2 – 27,4
- PR (Paraná) – 22,3 – 23,6
- PE (Pernambuco) – 35,2 – 37,7
- PI (Piauí) – 24,1 – 25,2
- RJ (Rio de Janeiro) – 21,4 – 26,2
- RN (Rio Grande do Norte) – 32,5 – 35,5
- RS (Rio Grande do Sul) – 17,1 – 17,9
- RO (Rondônia) – 33,0 – 33,7
- RR (Roraima) – 38,6 – 41,8
- SC (Santa Catarina) – 9,1 – 9,7
- SP (São Paulo) – 6,8 – 12,0
- SE (Sergipe) – 32,7 – 34,3
- TO (Tocantins) – 28,2 – 30,1
Fonte:Atlas da Violência 2023, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e Fórum Brasileiro de Segurança Pública


