Especialistas explicam quais os cuidados devem ser tomados diante do desejo de fazer uma intervenção no rosto e quais profissionais estão habilitados para isso
Dermatologista e membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, José Roberto Braga Filho reitera a recomendação do CFM, explicando que o peeling de fenol é um procedimento complexo, que pode levar a uma alteração dos batimentos cardíacos e até mesmo a uma parada do coração e o óbito do paciente. “É por isso que precisa ser realizado em um ambiente de cirurgia. É necessário que exista uma monitorização cardíaca, soro ligado na veia, ter um anestesista acompanhando e o médico que for fazer tem que ter muita experiência”, elucida o médico, que é também fundador e diretor clínico do Instituto Fraga de Dermatologia (@fragadermatologia), em São Paulo.
CEO da Clínica Bonaparte Saúde e Estética, em Belo Horizonte, a dermatologista Fernanda Bonaparte (@dra.fernandabonaparte) reforça o coro, pontuando que, por utilizar um composto mais tóxico, que pode ser absorvido em grande quantidade, o peeling de fenol ainda pode causar outras reações. “Pode ter, às vezes, uma alteração da coloração da pele, uma intoxicação. Além disso, é preciso tomar cuidado com a cicatrização, porque ele provoca uma queimadura mais profunda, então é necessário ter cuidado com uma infecção”, afirma.
Segundo ele, além dos médicos, biomédicos, enfermeiros, farmacêuticos e dentistas possuem resoluções dos seus respectivos conselhos que garantem a atuação em procedimentos estéticos, inclusive na face.
Mas existem restrições. Segundo ele, os enfermeiros, por exemplo, não podem trabalhar com ácidos. Quanto aos esteticistas, há restrições do ponto de vista legal de atuação com procedimentos que, em algum ponto, podem ser invasivos com a aplicação de toxina botulínica e peeling de fenol. “Dentistas fazem muitos procedimentos, a resolução do Conselho [de odontologia] dá a possibilidade de atuar em toda a região da face, mas há uma controvérsia acerca de procedimentos no nariz, que ultrapassam o grau de conhecimento do profissional do ponto de vista legal”, explica.
Recomendações
Com uma gama de profissionais habilitados a realizar procedimentos estéticos, algumas recomendações devem ser seguidas por pacientes ou interessados em realizar esse tipo de intervenção no rosto. Para o dermatologista José Roberto Fraga Filho, antes de tudo, é preciso buscar por aqueles que sejam capazes de corrigir os efeitos colaterais que podem surgir: os médicos. “É muito frequente receber casos em que ocorrem reações adversas e os profissionais que fizeram o procedimento não sabem cuidar”, diz.
Presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia de Minas Gerais (SBD-MG), a médica dermatologista Gisele Viana de Oliveira corrobora a fala do colega, reiterando a necessidade que as intervenções sejam feitas por profissionais da medicina. “Nós vemos com grande preocupação o grande número de clínicas que não têm nenhum médico na equipe. Às vezes ela tem uma uma capinha externa bonita e isso chama a atenção dos pacientes, mas na verdade, eles não sabem os riscos relacionados a esses procedimentos”, afirma.
A presidente do SBD-MG lista também outros riscos que podem estar envolvidos na escolha de profissionais que não são da área da medicina, que incluem ainda a compra de produtos que podem ser oriundos de venda ou fabricação ilegal, já que muitos dos materiais utilizados têm venda restrita para médicos.
Avaliação dos profissionais é fundamental
José Roberto Fraga Filho também ressalta a importância de que o paciente busque por um profissional habilitado, que tenha inscrição no conselho regional de sua especialidade. Ele também aconselha para que haja cuidado com as redes sociais porque embora elas possam fornecer uma ideia sobre o profissional, as informações nem sempre são verdadeiras. “Você entra no Google e consegue ver tudo: se o médico tem a especialidade necessária, se ele está apto a fazer o procedimento, as avaliações, porque hoje somos sempre avaliados”, afirma.
Desconfiar de preços muito baixos e resultados que parecem bons demais para ser verdade também são orientações dadas pelos profissionais. “Quando se promete muito tem que ter cuidado, porque não existe milagre. Se a pessoa começa a oferecer muita coisa, está errado. A mesma coisa em relação ao preço, tem gente que coloca menos produtos para baratear o procedimento e enganam as pessoas”, alerta José Roberto.
Por fim, a dermatologista Fernanda Bonaparte orienta que os pacientes também avaliem a necessidade ou não do procedimento escolhido. “Tem que avaliar o risco e benefício, hoje a gente tem muitos recursos disponíveis, vários tipos de tratamento que podemos recorrer. É preciso olhar com cautela”.


