Perito cibernético dá dicas para se proteger na internet; psicólogos pontuam os perigos em relação ao abuso no uso das redes
Alguns minutos nas redes sociais são suficientes para acompanhar uma infinidade de detalhes sobre a vida de muita gente. Fotos do café da manhã, do treino na academia, de algum passeio ou prato de comida não são difíceis de ser encontrados. Há ainda aqueles que religiosamente divulgam todos os detalhes da vida – bons ou ruins. Esse comportamento, que é popular, porém, pode não ser dos mais seguros. É isso o que aponta o escritor, perito cibernético e físico Wanderson Castilho. “Pessoas que se expõem sem ter necessidade podem encontrar grandes problemas, que vão desde questões mentais até perigos para a integridade física”, afirma.
Castilho ressalta, porém, que os riscos não são direcionados apenas àqueles que postam excessivamente. “Até mesmo quem não se expõe muito, mas posta algumas fotos bobas, que acham algo superinocente, podem correr perigo assim como aqueles que não têm noção de sua privacidade. Alguém que tem uma conta pequena, com cem seguidores, que não tem abrangência, pode postar algo e aquilo viralizar. Daqui a pouco, são 10 milhões de pessoas vendo aquela informação. E é aí que mora o perigo. Uma coisa é estar em volta do meu quintal, onde só quem está ao meu redor pode ouvir e ver, mas, quando você está numa rede mundial, está exposto para o mundo inteiro”, reforça. “Isso, somado às ferramentas de inteligência artificial, ao próprio conhecimento das pessoas e à ‘dark web’, que ensina muita coisa”, complementa ele.
Diante de riscos – que incluem o vazamento de dados, a manipulação de imagens e vídeos e ameaças à integridade física, em casos de stalking –, Castilho aconselha que informações pessoais não sejam divulgadas nas redes sociais. O que vale até mesmo para postagens que possam parecer mais inocentes, como um jantar em algum restaurante que a pessoa tenha mais costume de ir ou a identificação de locais que fazem parte da rotina. “Não postar fotos de crianças também é importante, além de deixar as redes completamente fechadas e só permitir que quem seja seu amigo, que você conheça verdadeiramente, te siga”, orienta, principalmente para o caso de perfis não profissionais.
O uso excessivo das redes sociais também representa perigos para a saúde mental dos internautas. Um deles, inclusive, está ligado à dependência emocional dessas plataformas. “É um risco bem diverso, porque vai afetar cada pessoa de uma forma diferente, mas, basicamente, a ansiedade, a angústia, o momento depressivo e a desatenção podem ser vistos como as principais respostas a essa exposição às redes, impactando principalmente a autoestima e o autorreconhecimento daquele que se expõe de uma forma intensa”, explica o psicólogo clínico João Gabriel Grabe.
Por que as pessoas gostam de compartilhar a vida nas redes sociais?
Embora existam motivos individuais e variados para que as pessoas optem por compartilhar ou não detalhes de suas vidas nas redes sociais, há também algumas questões que podem explicar, de forma geral, as razões que estão por trás desse comportamento. Segundo o psicólogo e psicanalista Danty Marchezane, uma dessas razões está em um costume da própria contemporaneidade. “É uma questão do nosso tempo, porque é uma forma de criar um laço, e sabemos que as redes sociais fazem essa promessa da criação de um laço social”, afirma. Conselheiro do Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais, ele acrescenta ainda que esse tipo de comportamento vem atrelado a uma virtualização das relações. “Acontece meio que uma substituição dos relacionamentos físicos. É comum ver um grupo de amigos e todos eles ficam mexendo no celular por baixo da mesa”, diz.
Além dessa justificativa – que vem com uma questão problemática –, Danty acredita que essa atitude pode ainda surgir de um desejo de expressão. “Acho que também pode estar ligada a uma necessidade que a pessoa tem de expressar algo em determinado momento. É algo que sempre fizemos, mas agora, com as redes sociais, fazemos isso para todo mundo”.


