Negligência é uma das causas da doença nos pequenos
Em Belo Horizonte, no ano passado, dez crianças entre 1 e 4 anos foram diagnosticadas com depressão. Em 2022, a capital mineira registrou a mesma quantidade de pequenos com esse diagnóstico. Os números chamam a atenção sobretudo em um mundo cada vez mais conectado e em meio a pesquisas que mostram que o uso de telas entre crianças e adolescentes pode estar diretamente relacionado à depressão.
“Os bebês também podem ter depressão. Isso ocorre principalmente naqueles bebês que são abusados, agredidos, por exemplo, ou negligenciados. Aqueles bebês em que as demandas ou são pouco atendidas ou não são atendidas. Então eles choram muito e não são atendidos, não recebem o afeto, o carinho que eles necessitam”, explica Júlia Khoury, médica psiquiatra, mestre e doutora em dependências químicas e comportamentais.
Conforme a profissional, os bebês com depressão ficam mais agressivos, irritados e inquietos. Além disso, dormem pouco, não se alimentam adequadamente e costumam perder peso. “A gente pode fazer o diagnóstico de uma depressão em um bebê também, apesar de ser mais raro do que em crianças e em adultos”, diz ela, lembrando que é preciso realizar exames para excluir causas orgânicas.
Sintomas de depressão entre bebês e crianças
Diagnosticar bebês e crianças com depressão não é uma tarefa fácil, já que elas expressam sentimentos diferentemente dos adultos. Conforme o psicólogo Thales Coutinho, um dos sinais de que uma criança está deprimida são o tédio e a desmotivação. “Muitas vezes, elas não sabem o que querem fazer, não querem jogar futebol, ir ao teatro, por exemplo, se isolam”, diz.
“Já crianças não relatam tanto tristeza quando estão deprimidas. Elas demonstram mais a depressão através de irritabilidade, agressividade, um isolamento de outras crianças ou até mesmo de familiares, um prejuízo nos relacionamentos”, diz ela, que afirma que é importante procurar ajuda profissional para que se inicie o tratamento adequado.


