As divergências entre integrantes do PL que votaram a favor da reforma tributária e os que votaram contra, seguindo orientação do ex-presidente Jair Bolsonaro, se transformaram em um barraco que implodiu o grupo de WhatsApp dos deputados do partido. Antes da suspensão do grupo, feita pelo líder Altineu Côrtes (RJ), parlamentares trocaram ofensas, repetindo a tensão que dividiu o PSL, antigo partido do ex-chefe do Executivo.
O teor das mensagens com ofensas entre os deputados da oposição foi revelado pelo jornal “O Globo” e pela colunista Andrea Sadi, do “G1”. Participaram do embate, de um lado, entre os favoráveis à reforma, Vinícius Gurgel (AP) e Luciano Vieira (RJ), além do parlamentar licenciado Yuri do Paredão (CE). Eles foram duramente atacados por Gustavo Gayer (GO), Julia Zanatta (SC), Carlos Jordy (RJ), André Fernandes (CE) e Junio Amaral (MG), contrários à reforma e fieis aliados de Bolsonaro. General Pazuello (RJ), ex-ministro da Saúde de Bolsonaro, foi quem tentou contemporizar, pedindo “Mais política” e dizendo que um partido de nome “liberal” não pode ter “radicalismo e acusações”.
Em meio às discussões, o mais mais bolsonaristas chamaram os colegas de “melancias traidores” e foram chamados de “extremistas”. Um parlamentar chegou a comparar a situação com a do antigo PSL.
Vinícius Gurgel reclamou de ataques nas redes sociais e pediu respeito. Disse não ser de esquerda e afirmou que se quiserem pedir sua suspensão e comissões ou expulsão “do jeito que vier tá bom”. Já Julia Zanatta afirmou que ele estaria “choramingando”.
Carlos Jordy entrou em cena pra dizer que o partido iria rumar cada vez mais para a direita e que quem não gostasse deveria sair. E Junio Amaral sugeriu que a votação a favor da reforma seria por outro motivo e que tentar justificar esse posicionamento como verdadeiro é fazer os bolsoanristas de “otários”. Gurgel então rebateu que então poderiam pedir sua expulsão. “Aqui não tem clima mais com vcs!!”, disse ele.
André Fernandes resolveu entrar no embate e questionou: “Vcs quem?”. Gurgel respondeu de pronto: “Vc, amigo, é um deles, pede expulsão, não respeita! Preferia vc em outro partido”. Ao que o cearense respondeu: “Não me chame de amigo. Não lhe dei essa liberdade”, reforçando que o colega deveria sair do partido.
As divergências no bolsonarismo quanto à reforma já haviam gerado um episódio constrangedor para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que é do Republicanos, em reunião do PL no dia da aprovação da proposta na Câmara. Ele foi criticado e interrompido ao defender a votação a favor do texto. Chegou a ser acusado de não ter “experiência política” pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que estava ao lado. Depois do episódio, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, está isolado e é de extrema-direita. Carlos Bolsonaro, que pertence à legenda, reclamou nas redes sociais.
No Senado, a expectativa é de que novos embates ocorram. Há aliados de Bolsonaro que sinalizam posições mais favoráveis, como o ex-vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB-RS), o ex-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI) e o líder do PL Carlos Portinho (RJ). De outro, Jorge Seif (PL-SC) e Damares Alves (Republicanos-DF) já avisaram que vão votar contra.


