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Por Gazeta do Povo Lab
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Por Aiuri Rebello
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03/11/2026 às 19:00
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A perícia do Instituto de Criminalística da Polícia Federal concluiu hoje, 3 de novembro de 2026, que não havia entorpecentes em uma carga de 260 toneladas de madeira interceptada na fronteira com a Bolívia. O anúncio oficial da suposta apreensão histórica, feito pelo governo federal em junho, transformou-se em um inquérito policial para apurar falhas e possível comunicação falsa de crime.
Como a carga de madeira foi identificada como sendo um carregamento de drogas?
A operação Timber Shield baseou-se em informações compartilhadas pela agência antidrogas dos Estados Unidos, o DEA. Havia a suspeita de que a madeira brasileira estivesse relacionada a uma apreensão de 100 toneladas de cocaína ocorrida no Chile dias antes, onde a droga líquida fora injetada nas fibras dos troncos. Durante a fiscalização nos postos de Corumbá (MS) e Cáceres (MT), a Receita Federal utilizou narcotestes preliminares. Segundo o órgão, esses exames rápidos apresentaram reações positivas, indicando a presença de substâncias ilícitas, o que motivou o anúncio imediato da apreensão recorde.
O que os exames detalhados da perícia técnica revelaram sobre o material?
Cerca de um mês após o alarde governamental, os peritos do Instituto de Criminalística da Polícia Federal realizaram uma análise minuciosa em amostras coletadas aleatoriamente. Utilizando furadeiras e motosserras, foram retiradas lascas e serragem de nove pontos diferentes da carga para testes instrumentais em laboratório. O laudo oficial foi taxativo ao informar que todos os resultados deram negativo para cocaína ou qualquer outro tipo de entorpecente. Complementando a investigação técnica, cães farejadores também inspecionaram a madeira e não detectaram qualquer sinal de drogas nas toneladas retidas.
Quais são as justificativas apresentadas pela Receita Federal sobre o erro?
Em nota oficial, a Receita Federal defendeu a lisura da operação, alegando que os procedimentos de fiscalização seguiram protocolos internacionais. O órgão destacou que tanto os seus técnicos quanto as autoridades bolivianas da Aduana e da força especial contra o narcotráfico obtiveram resultados positivos nos testes rápidos de campo realizados no momento da abordagem. A Receita ressaltou que as perícias definitivas em Cáceres foram concluídas com resultado negativo, mas que em Corumbá os trabalhos ainda seguem em aberto, sob acompanhamento do Ministério Público Federal, mantendo o foco na investigação criminal.
Quais são as consequências legais da falha na identificação do suposto crime?
A Polícia Federal instaurou um inquérito policial específico para investigar o que causou o desencontro de informações e a falha técnica na operação. A investigação busca apurar as circunstâncias que levaram ao anúncio de um crime inexistente, incluindo a verificação de possível comunicação falsa de crime. A situação criou um mal-estar institucional entre a Polícia Federal, que realiza a perícia científica, e a Receita Federal, responsável pela fiscalização aduaneira e pelos testes preliminares. O caso agora é tratado com cautela para entender se houve erro humano, falha nos reagentes químicos ou imprecisão de inteligência.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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Fonte: Gazeta Brasil


