Receba notícias por e-mail
Eleições 2026
Alexandre Garcia
Por Diógenes Freire Feitosa
Por Diógenes Freire Feitosa
03/11/2026 às 12:14
03/11/2026 às 12:14
Dê de presente
Prefira a Gazeta no Google
Ouça este conteúdo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, questionou nesta terça-feira (3) o temor dos investidores em relação à política econômica do próximo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, as conversas com o petista sobre os rumos da economia não justificam a preocupação do mercado financeiro após a reeleição.
Durigan afirmou que o governo pretende promover um ajuste fiscal gradual, preservar os compromissos assumidos durante a campanha eleitoral e melhorar as contas públicas.
“Nas agendas comigo, nós não estamos tratando de nada que justifique ao mercado ter uma posição de medo. Nós estamos tratando de um ajuste gradual que respeite os compromissos de campanha, que seja justo em relação aos mais pobres, em relação à progressividade que é necessária ser buscada no nosso sistema”, declarou Durigan a jornalistas.
O ministro também afirmou que o governo precisa conciliar a melhora dos indicadores fiscais com a manutenção de políticas sociais.
“Esse é um grande desafio. Nós vamos ter que achar o caminho para fazer essas duas coisas sem procurar uma narrativa fácil”, acrescentou.
VEJA TAMBÉM:
Recém-reeleito, governo Lula já sinaliza aumento da carga tributária
Mercado eleva projeções de juros e inflação no primeiro Focus após reeleição de Lula
Reeleição de Lula amplia incertezas sobre política econômica
A declaração ocorre em meio à reação negativa do mercado financeiro à reeleição de Lula, anunciada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 25 de outubro.
A vitória do petista provocou forte desvalorização dos ativos brasileiros e ampliou as preocupações dos investidores com a condução da política econômica no próximo mandato.
O episódio também ocorre após a repercussão de uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para alterar a condução das políticas fiscal e monetária.
A ideia prevê a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional e uma redução gradual da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 13,75% ao ano, para aproximadamente 7,5% em 12 meses.
A possibilidade de Lula discutir a proposta com o economista provocou apreensão entre investidores.
Durigan negou que o presidente tenha uma reunião marcada com Lara Resende e afirmou que a ideia ainda não representa uma proposta em avaliação pelo governo.
O ministro disse enxergar “várias deficiências” na formulação do economista.
Ministro promete melhorar contas públicas sem retirar direitos
Durigan afirmou que o governo ainda não concluiu a elaboração das medidas de ajuste fiscal para o próximo mandato.
Segundo ele, a equipe econômica trabalha na revisão de políticas públicas para melhorar a aplicação dos recursos, sem retirar direitos da população.
“Vamos melhorar o resultado primário, como nós fizemos de 2023 para cá, fazendo com rigor a avaliação das políticas públicas já existentes, não para tirar direitos, mas para garantir que o dinheiro público seja bem aplicado e olhar para os investimentos estratégicos do país”, declarou.
O ministro reconheceu que o governo precisa encontrar uma solução para conciliar a responsabilidade fiscal com os compromissos sociais assumidos por Lula durante a campanha. Ele não apresentou, contudo, um cronograma para anunciar as medidas.
Contas públicas pressionam mercado e ampliam desconfiança dos investidores
A preocupação dos investidores tem como pano de fundo a situação das contas públicas.
Reportagem da Gazeta do Povo mostrou que mais de 90% do Orçamento federal de 2027 está comprometido com despesas obrigatórias. A dívida bruta alcançou 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, segundo dados do Banco Central.
A reação dos mercados à reeleição de Lula evidenciou a desconfiança sobre a capacidade do próximo governo de conter o endividamento.
No primeiro pregão após o resultado eleitoral, em 26 de outubro, o Ibovespa recuou 13,88%, enquanto o dólar ultrapassou R$ 5,60 durante as negociações.
Na semana seguinte, a Bolsa acumulou perda de 18,12%, o pior desempenho desde março de 2020.
Na avaliação de investidores e analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, o próximo mandato exigirá mudanças estruturais nas despesas públicas para estabilizar a dívida.
Entre as alternativas discutidas estão a revisão de regras de benefícios sociais e aposentadorias, a redução de despesas administrativas e mudanças na distribuição de recursos do Orçamento.
VEJA TAMBÉM:
Argumento de Messias contra bets contrasta com tese progressista sobre aborto e drogas
Lula e aliados convocam pressão nas redes durante audiência no STF sobre bets
PT rejeita impeachment no STF, afasta debate sobre anistia e descarta mudanças tributárias
Deixe sua opinião
Encontrou algo errado na matéria?
Comunique erros
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Principais Manchetes
Recém-reeleito, governo Lula já sinaliza aumento da carga tributária
Direita terá dificuldade de conter STF se não impedir reeleição de Alcolumbre
Chuva alterando locais de votação, brigas na Justiça, ofensiva final de Trump: as midterms tumultuadas nos EUA
PL prepara deputada recordista em votos para comandar Legislativo em Santa Catarina
Tudo sobre:
Banco Central
Contas públicas
Dario Durigan
Dólar
Ibovespa
Impostos
Inflação
Investimentos
Lula
mercado
Mercado Financeiro
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Fonte: Gazeta Política


