Receba notícias por email
Banco Master
Banco Central
Por Vinicius Macia
Por Vinicius Macia
06/11/2026 às 10:31
06/11/2026 às 10:31
Dê de presente
Prefira a Gazeta no Google
Ouça este conteúdo
A desembargadora Adriana Pileggi, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), concedeu uma liminar permitindo que três casas de apostas do país voltem a funcionar. A decisão desta terça-feira (3) beneficia a Casa de Apostas, BetSul e Jogo Online, mas não se estende às demais.
O juiz federal de primeira instância havia negado a liminar, considerando o interesse na proteção da saúde da população superior à segurança jurídica. As bets alegam que o governo desmontou abruptamente um setor regulado, descumprindo uma promessa feita pelo Estado sem etapas de transição ou diálogo suficiente, tudo isso sem ressarcir os R$ 30 milhões das outorgas de cada empresa.
Pileggi, porém, entendeu de forma diferente. Para ela, o termo "interesse público" usado para falar da proteção à saúde não dá ao Executivo um "poder mágico" para alterar o compromisso firmado via legislação, "correndo o risco de descrédito total em relação aos contratos efetuados com a Administração Pública". Para ela, houve um "verdadeiro confisco" das outorgas.
VEJA TAMBÉM:
Instabilidade jurídica no Brasil de Lula preocupa Europa e Ásia
Proibição das bets e o risco da insegurança jurídica no Brasil
A desembargadora afirmou ainda que focar no interesse público e deixar de lado o compromisso com o setor violaria o princípio da boa-fé como norteadora dos contratos. Ela também considerou exagerada a multa diária de R$ 200 mil para as bets que descumprissem as regras sobre a devolução de saldos.
A proibição das bets entrou em vigor em 25 de setembro de 2026. No dia 5 de outubro, dez dias após a publicação, terminava o prazo para que os usuários retirassem seus saldos. No dia seguinte, todas as plataformas já deveriam estar fora do ar. A extinção completa das autorizações que custaram R$ 30 milhões se deu um mês após a publicação, em 25 de outubro, mesmo dia do segundo turno das eleições.
No Supremo Tribunal Federal (STF), tramita uma ação que pretende derrubar a proibição de um modo geral. O caso está sob relatoria do ministro Luiz Fux. Durante uma audiência pública, ele sinalizou apoio à extinção das casas de apostas. O caso, porém, ainda vai a plenário. Entidades esportivas levaram ao magistrado preocupações quanto à perda de receitas decorrente do fim dos contratos de patrocínio.
VEJA TAMBÉM:
Fux defende banimento das bets e aponta desafios jurídicos para a proibição no Brasil
Argumento de Messias contra bets contrasta com tese progressista sobre aborto e drogas
Entenda como as bets surgiram no Brasil
As bets passaram a ter aval jurídico no Brasil graças a uma lei sancionada pelo então presidente Michel Temer (MDB) no final do seu mandato (12 de dezembro de 2018). A norma determinava que o governo federal deveria regulamentar o setor em até dois anos, prorrogáveis por mais dois anos, ou seja, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
O prazo expirou sem que houvesse uma regulamentação. Houve consultas, minutas e até inclusão das apostas no programa de desestatização, mas a norma final não saiu. Em julho de 2023, Lula editou uma medida provisória para tratar do assunto e enviou à Câmara um projeto de lei. O ato perdeu a validade em novembro de 2023. O Congresso, então, acelerou a tramitação do que se tornou o marco legal das apostas esportivas.
Já o "Tigrinho" veio de uma brecha aberta durante a passagem do marco legal pela Câmara. O deputado federal Adolfo Viana (PSDB-BA) ampliou o conceito de aposta de quota-fixa, anteriormente associados a eventos reais do esporte. Ele registra, em um parecer, que "a ampliação desse conceito permitirá, por exemplo, que sejam oferecidas apostas de quota fixa sobre jogos on-line". A definição abarca os cassinos virtuais:
"Jogo on-line: canal eletrônico que viabiliza a aposta virtual em jogo no qual o resultado é determinado pelo desfecho de evento futuro aleatório, a partir de um gerador randômico de números, símbolos, figuras ou objetos definido no sistema de regras".
Deixe sua opinião
Encontrou algo errado na matéria?
Comunique erros
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Principais Manchetes
Rogério Marinho e Tereza Cristina articulam estratégia para derrotar Alcolumbre no Senado
Fachin precisa devolver inquérito do Master a Mendonça
Trump diz aos EUA que a “culpa é toda de vocês” após vitória democrata derrubar mercados
Em evento conservador nos EUA, Flávio diz que “ainda não foi o fim”: “Grandes coisas estão por vir”
Tudo sobre:
Bets
Luiz Fux
Lula
Saúde
STF
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Fonte: Gazeta Economia


