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“Modelo BYD” de produção ameaça 90% dos empregos automotivos no Brasil, diz Stellantis

Gazeta Carros

Por Fernando de Jesus, especial para a Gazeta do Povo

Por Fernando de Jesus, especial para a Gazeta do Povo

17/10/2026 às 19:12

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A expansão das marcas chinesas de automóveis no Brasil traz uma questão que vai além da disputa por consumidores: quanto da fabricação dos veículos será efetivamente realizada em território brasileiro? Ao transferir parte do processo produtivo para o exterior, as montadoras deixam de realizar no Brasil parte das etapas de fabricação, o que reduz a geração de empregos industriais e a demanda por fornecedores nacionais.

Uma declaração recente do presidente da Stellantis para América Latina, Herlander Zola, concedida a jornalistas em São Paulo no dia 7 de outubro, ilustra o problema. Segundo ele, o modelo de produção knocked-down – termo usado para veículos montados parcialmente no exterior e finalizados no país de destino –, poderia ameaçar até 90% dos empregos automotivos na região.

Nesse cenário, a Stellantis precisaria de apenas 10% dos cerca de 35 mil funcionários que mantém na América do Sul caso adotasse integralmente esse modelo de pré-montagem. Segundo reportagem da BBC News Brasil, a BYD já produziu mais de 100 mil veículos com kits importados somente na fábrica de Camaçari, na Bahia.

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SKD e CKD: como funciona a montagem de carros com kits importados

No sistema SKD (Semi Knocked Down), o veículo chega ao país parcialmente montado, cabendo à fábrica local concluir as etapas restantes. No CKD (Completely Knocked Down), os conjuntos chegam desmontados e são montados na fábrica brasileira. Ou seja, o grau de trabalho realizado no país de destino varia conforme o processo adotado por cada montadora.

Uma fábrica que recebe conjuntos semimontados pode gerar empregos em montagem final, logística e controle de qualidade. Entretanto, se etapas como estamparia, soldagem da carroceria, pintura e fabricação de componentes permanecerem concentradas no exterior, o impacto sobre a cadeia industrial brasileira será diferente daquele produzido por uma unidade com operações mais completas.

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Incentivos fiscais favorecem a montagem com kits importados

A discussão sobre o grau de nacionalização da produção também envolve a política tributária. Em junho deste ano, o governo brasileiro ampliou um benefício às montadoras chinesas ao renovar por seis meses, a partir de julho, uma cota de US$ 463 milhões para a importação de veículos eletrificados desmontados ou semidesmontados com alíquota zero do Imposto de Importação. A medida beneficia diretamente o modelo de produção empregado pela BYD e outras montadoras chinesas.

A diferença de tratamento tributário entre veículos importados prontos e conjuntos destinados à montagem local pode influenciar os custos das empresas e suas decisões de investimento. Montadoras que mantêm estruturas industriais mais amplas argumentam que essa dinâmica pode criar condições concorrenciais distintas, sobretudo quando a importação de kits não é acompanhada por uma expansão equivalente das etapas produtivas no Brasil.

Já na avaliação do governo, os incentivos fazem parte de uma estratégia de atração de investimentos e estímulo à eletrificação.

Presença de marcas chinesas no país consolidam interesse por carros eletrificados

O avanço das marcas chinesas no Brasil coincide com o aumento do interesse do consumidor brasileiro por carros eletrificados e híbridos na comparação com veículos a combustão, conforme revela um levantamento do Google Trends nos últimos cinco anos no Brasil.

Enquanto a categoria de veículos eletrificados disparou de forma expressiva até atingir o ápice de 100% do interesse de busca em 2026, a procura por modelos híbridos manteve um patamar secundário de até 18% do volume do pico. Já a procura por "carro a combustão" registrou um nível residual próximo de 2% do interesse relativo ao longo do período.

** Esta reportagem faz parte de uma parceria com o Google, que apoia projetos jornalísticos baseados em dados do Google Trends. A apuração é de responsabilidade exclusiva da Gazeta do Povo, sem qualquer interferência editorial do Google.

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Fonte: Gazeta Economia

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