EconomiaCrise no STF atrasa julgamentos com impacto de até R$ 37 bilhões

Crise no STF atrasa julgamentos com impacto de até R$ 37 bilhões

Receba notícias por email

Banco Master

Banco Central

Por Célio Yano

Por Célio Yano

02/10/2026 às 11:40

02/10/2026 às 11:40

Dê de presente

Prefira a Gazeta no Google

Ouça este conteúdo

A crise institucional que envolve acusações e pedidos de investigação entre ministros do STF provocou o adiamento de julgamentos tributários que estavam na pauta do plenário da corte em setembro, cujas estimativas de impacto para as contas públicas, somadas, podem chegar a até R$ 37,4 bilhões em cinco anos.

Os processos discutem questões que afetam empresas e as contas públicas: se benefícios fiscais de ICMS devem entrar no cálculo de PIS e Cofins; e quem deve recolher a contribuição previdenciária sobre a produção rural: o produtor ou a empresa que compra seus produtos.

Desde que o ministro André Mendonça levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) que mostra mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, uma tensão institucional sem precedente se instaurou no tribunal, levando o presidente da corte, Edson Fachin, a cancelar, até agora, três sessões no plenário.

Como mostrou a Gazeta do Povo, a crise no STF entrou no radar de investidores e gera preocupação entre empresários pelo risco de agravamento da instabilidade jurídica e regulatória no país.

VEJA TAMBÉM:

Crise no STF já entra no radar do mercado e ameaça investimentos, câmbio e juros

STF pode mudar cálculo de PIS e Cofins sobre benefícios de ICMS

Um dos casos tributários que seria julgado no dia 9 de setembro era o recurso extraordinário (RE) 835.818 (Tema 843), que discute se créditos presumidos de ICMS concedidos pelos estados podem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins.

A União estima que a decisão pode representar impacto de aproximadamente R$ 16,5 bilhões na arrecadação do governo em cinco anos, caso o STF decida a favor dos contribuintes.

O processo já havia formado maioria no plenário virtual pela exclusão dos créditos no cálculo dos tributos federais, mas um pedido de destaque de Gilmar Mendes levou o julgamento para o plenário físico do STF, fazendo com que a votação tivesse de ser reiniciada.

Com o cancelamento da sessão, o tema foi inicialmente adiado para o dia seguinte, mas as atividades do dia 10 acabaram novamente suspensas por Fachin em meio ao agravamento da crise entre os magistrados da corte.

Na última sexta (25), o RE 835.818 foi incluído na pauta de julgamento de quarta-feira (30), mas a sessão terminou sem que a análise da matéria, que ficou para esta quinta (1º).

VEJA TAMBÉM:

Crise do STF trava investigações de corrupção com potencial de impacto na eleição

STF discute quem deve pagar o Funrural

Outro julgamento que saiu da pauta envolve o Funrural, contribuição previdenciária cobrada sobre a produção rural. O STF discute quem deve recolher o tributo: o produtor rural ou a empresa que compra sua produção, como um frigorífico.

Em uma nota técnica publicada em abril de 2023, a Receita Federal calcula perda de arrecadação de R$ 13,2 bilhões referente ao período de 2018 a 2022 e de R$ 2,64 bilhões anuais futuramente caso fosse reconhecida a inconstitucionalidade da contribuição.

No Anexo de Riscos Fiscais do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026, a União estima que uma decisão favorável ao contribuinte poderia gerar R$ 20,9 bilhões em frustração de receita.

O STF, no entanto, decidiu sobre o mérito da cobrança: o produtor rural pessoa física com empregados deve pagar a contribuição sobre a receita bruta na venda da produção, substituindo a contribuição sobre a folha.

O julgamento já avançou, mas o STF ainda precisa oficializar o resultado e definir os parâmetros da decisão, inclusive sobre quem ficará responsável pelo recolhimento.

O caso foi pautado inicialmente para o dia 2 de setembro, mas acabou adiado para o dia 9. Com o cancelamento da sessão, foi excluído do calendário de julgamento e até esta quinta-feira (1º) não tinha nova data para ser analisado pelo pleno.

Enquanto o julgamento não é finalizado pelo STF, todos os processos judiciais que discutem o recolhimento do Funrural nas diversas instâncias do Judiciário pelo país estão suspensos por decisão do relator da ADI, Gilmar Mendes.

VEJA TAMBÉM:

Decisão de Dino contra Flávio reaquece crise no STF e acirra disputa eleitoral

Gilmar cobra Fachin e STJ por pente-fino em precatórios e volta a citar “Turma do KN”

Vorcaro encontrou Dias Toffoli 12 vezes de olho em voto de usinas sucroalcooleiras

Reforma do STF pode incluir mandato fixo e responsabilização disciplinar de ministros

Novo pede a Fachin anulação de vista de Dino e retomada de julgamento sobre Moraes

Deixe sua opinião

Encontrou algo errado na matéria?

Comunique erros

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

PT usa ação relatada por Dino para investigar influência dos EUA e blindar STF contra a Magnitsky

Crise no STF atrasa julgamentos com impacto de até R$ 37 bilhões

Quem é a ministra do TSE nomeada por Lula que provocou cancelamento do debate da Globo

Apoio antecipado a Flávio Bolsonaro deixa sequelas no Novo na reta final para o 1º turno

Tudo sobre:

Alexandre de Moraes

André Mendonça

Contas públicas

Edson Fachin

STF

Receba nossas notícias NO CELULAR

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Fonte: Gazeta Economia

DestaquesNo ZUG!

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Ipatinga
nublado
21 ° C
21 °
21 °
88%
0m/s
100%
qui
31 °
sex
25 °
sáb
32 °
dom
24 °
seg
21 °