Receba notícias por email
América Latina
Guerra EUA x Irã
Por John Lucas
Por John Lucas
16/09/2026 às 16:48
16/09/2026 às 16:48
Dê de presente
Prefira a Gazeta no Google
Ouça este conteúdo
A Justiça Federal da Argentina determinou nesta quarta-feira (16) a suspensão do avanço do projeto Sea Lion, empreendimento de exploração de petróleo nas Ilhas Malvinas que prevê investimentos de cerca de US$ 2,1 bilhões. A medida atinge as empresas britânica Rockhopper Exploration e israelense Navitas Petroleum, responsáveis pelo desenvolvimento do projeto num campo de petróleo localizado a aproximadamente 220 quilômetros ao norte do arquipélago.
A decisão foi tomada pela juíza federal Mariel Borruto, de Río Grande, na província argentina da Terra do Fogo. A magistrada concedeu uma medida cautelar em uma ação apresentada pelo Centro de Ex-Combatentes das Ilhas Malvinas de La Plata e por uma associação de advogados ambientalistas.
A ordem determina que as empresas se abstenham de iniciar ou continuar atos necessários à execução do Sea Lion. A restrição alcança perfurações no fundo do mar, instalação de infraestrutura submarina e tubulações, estruturas de produção e o início da extração comercial de petróleo.
Segundo a decisão, a suspensão deve permanecer enquanto não houver uma avaliação de impacto ambiental perante as autoridades argentinas competentes ou até que o próprio tribunal determine algo diferente. Borruto afirmou que, nesta etapa do processo, não está considerando comprovada a existência de dano ambiental provocado pelo empreendimento. A cautelar busca impedir que as obras avancem antes da análise judicial definitiva.
O argumento argentino esbarra, porém, na disputa de soberania sobre as Malvinas. O arquipélago está sob administração britânica, enquanto Buenos Aires reivindica a soberania sobre o território. O Reino Unido sustenta que a Argentina não tem jurisdição sobre as atividades econômicas realizadas nas ilhas e afirma que licenças concedidas pelas autoridades locais são válidas. Antes da decisão desta quarta-feira, Rockhopper e Navitas também haviam afirmado que não esperavam interrupções no desenvolvimento do Sea Lion em consequência das medidas argentinas.
Por isso, a determinação de Borruto não significa necessariamente que as obras serão imediatamente interrompidas no arquipélago. A capacidade argentina de fazer cumprir a medida sobre atividades realizadas em território administrado pelo Reino Unido deverá se tornar um dos pontos centrais da disputa jurídica.
O Sea Lion é um dos maiores projetos econômicos previstos para as Malvinas nas próximas décadas. A Rockhopper informou que os custos previstos desde a decisão final de investimento até a conclusão da primeira fase chegam a US$ 2,1 bilhões. O financiamento inclui US$ 1 bilhão em dívida, além de recursos das empresas envolvidas e receitas futuras da produção.
A Navitas, operadora do campo, prevê iniciar a produção em março de 2028. A primeira etapa contempla 11 poços submarinos ligados a uma unidade flutuante de produção e armazenamento. A companhia estima que a exploração possa permanecer ativa por mais de 30 anos.
A decisão judicial ocorre em meio à intensificação da ofensiva do governo do presidente Javier Milei contra empresas que participam da exploração de recursos nas Malvinas. Nesta semana, o governo argentino anunciou a preparação de um projeto para ampliar as sanções contra companhias que atuam no arquipélago sem autorização de Buenos Aires, incluindo empresas associadas e outras atividades econômicas além do setor de petróleo.
VEJA TAMBÉM:
Argentina convoca embaixadores do Reino Unido e Israel para protestar por guia para investir nas Malvinas
Reino Unido enfrenta pressão territorial com Malvinas e avanço do separatismo
Trump diz que conflito pelas Malvinas seria um “desastre em potencial”
Deixe sua opinião
Encontrou algo errado na matéria?
Comunique erros
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Principais Manchetes
Atuação de Dino para melar julgamento de Moraes cola imagem de Lula ao escândalo do STF
Pedido de vista “cara de pau” de Dino poderia ser ignorado por Fachin?
Te perdoo, Cármen Lúcia
A ética da máfia: no STF, capo manda recado no WhatsApp para os colegas se alinharem ou sumirem
Receba nossas notícias NO CELULAR
WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.
Fonte: Gazeta Mundo


