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Flávio aposta em “efeito Moraes” e em crise do STF para desgastar Lula

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Por Wesley Oliveira

Por Wesley Oliveira

15/09/2026 às 20:27

15/09/2026 às 20:27

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Apesar de o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) ter terminado sem uma decisão sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, a crise na Corte deve continuar no radar da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) nas próximas semanas. A avaliação dentro do PL é de que a suspensão mantém em evidência um tema que o candidato pretende explorar para desgastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final do primeiro turno.

O julgamento foi suspenso após Flávio Dino pedir vista, quando o placar estava em 4 a 3 em uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes. O ministro decano propôs que as análises envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça fossem feitas de forma conjunta, mas a votação ainda não tratava do mérito sobre uma eventual investigação contra Moraes. O pedido de vista pode durar até 90 dias.

Na campanha de Flávio, no entanto, a crise no Supremo é tratada como um dos fatores que ajudaram a criar um ambiente favorável ao candidato nas últimas semanas. Como mostrou a Gazeta do Povo, o clima dentro da campanha do PL é de euforia e, em grupos de WhatsApp, o ambiente descrito tem sido de festa, com alguns aliados chegando a cogitar uma vitória no primeiro turno.

Assessores da campanha ouvidos pela reportagem avaliam que o cenário considerado mais favorável neste momento seria a abertura de uma investigação contra Moraes, por entenderem que isso prolongaria o desgaste do ministro e sua associação política com Lula. Mesmo sem esse desfecho, a avaliação interna é de que a imagem do ministro já sofreu desgaste suficiente para produzir efeitos na disputa eleitoral.

Agora, a estratégia é manter a associação entre Moraes e o presidente Lula nas próximas semanas. Ao comentar o julgamento, Flávio classificou a sessão desta terça como “uma das mais importantes dos últimos anos do Brasil” e afirmou esperar que o Supremo autorizasse o início das apurações.

“Eu acho que não há mais nenhuma dúvida de que, pelo menos o Supremo, a maioria do Supremo do Plenário, tem a obrigação de autorizar o início de uma investigação contra ele e que seja afastado”, declarou o candidato durante uma agenda no Pará nesta segunda-feira (14).

Campanha vai explorar imagem de Moraes ao lado de Lula

A ideia na campanha de Flávio é apresentar uma eventual reeleição do petista como sinal de continuidade da atual configuração do Supremo e, consequentemente, da relação entre o Executivo e a Corte.

O tema já começou a aparecer na comunicação eleitoral do candidato. Em vídeo publicado nas redes sociais e reproduzido posteriormente no horário eleitoral gratuito, Flávio afirmou que “o atual presidente [Lula] dividiu seu poder com Alexandre de Moraes” e acusou o governo de ter afetado o equilíbrio das instituições.

“O atual governo criou um desequilíbrio institucional. Decidiu governar ao lado de uma parte do Supremo Tribunal Federal, que descumpriu a lei. Não é à toa que isso tudo está acontecendo. É porque o atual governo, a gente não pode deixar de dizer, ele faz parte desse sistema que está apodrecido. E a gente está vendo esse sistema podre se revelar aos olhos de toda a nação”, declarou.

A orientação, porém, é não deixar que a crise no STF ocupe sozinha a comunicação da campanha. A equipe de Flávio pretende combinar o discurso institucional com temas econômicos, sobretudo o custo de vida, e ampliar conteúdos direcionados às mulheres e à segurança pública.

A estratégia, segundo integrantes do PL, é manter o assunto presente como contraponto a Lula, enquanto a campanha concentra parte significativa da propaganda em questões diretamente relacionadas ao cotidiano dos eleitores. “Como é que você pode ter um Judiciário em que a população majoritariamente não confia no tribunal?”, afirmou o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.

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O início do julgamento no STF sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro ocorreu no mesmo momento em que uma nova pesquisa Quaest mostrou Flávio numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno. A pesquisa divulgada na segunda-feira (14) mostrou o senador com 42% das intenções de voto, contra 40% do presidente petista.

Apesar de a diferença estar dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico. Ainda assim, é a primeira vez que Flávio aparece numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno da Quaest. Na rodada anterior, os dois tinham 41%.

Além do desempenho dos candidatos, a pesquisa também mostra uma mudança na percepção dos eleitores sobre o Supremo. De acordo com o levantamento, 56% dos entrevistados afirmam não confiar na Corte. O índice subiu dez pontos percentuais em relação a agosto, quando era de 46%, e atingiu o maior patamar desde dezembro de 2022.

Outros 30% dizem confiar pouco no STF, enquanto apenas 9% afirmam confiar muito. Em agosto, 33% confiavam pouco e 18% declaravam muita confiança na Corte.

A desconfiança é maior entre os eleitores independentes. Nesse grupo, chega a 65%, contra 50% na pesquisa anterior. Entre os apoiadores de Flávio, o índice é de 69%. Já entre os eleitores que apoiam Lula, 30% dizem não confiar no Supremo.

A Quaest também perguntou sobre os efeitos do caso do Banco Master. Para 46% dos entrevistados, o episódio afeta negativamente todos os Poderes. Outros 17% apontam o STF como o principal atingido. Em julho, apenas 5% atribuíam à Corte o maior impacto negativo do caso.

A Quaest entrevistou presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais, de 10 a 13 de setembro de 2026. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro de aproximadamente dois pontos percentuais. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações S.A. e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03607/2026.

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Fonte: Gazeta Política

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