PolíticaCensuras da Justiça Eleitoral à imagem de Jair Bolsonaro ferem a liberdade...

Censuras da Justiça Eleitoral à imagem de Jair Bolsonaro ferem a liberdade de expressão

Sílvio Ribas

Por Sílvio Ribas

Por Sílvio Ribas

Brasília

Brasília

24/09/2026 às 17:00

24/09/2026 às 17:00

Dê de presente

Prefira a Gazeta no Google

Ouça este conteúdo

Prisão, inelegibilidade, proibição do uso direto ou indireto de redes sociais e bloqueio das manifestações públicas, mesmo por carta. Tudo isso parece insuficiente para a Justiça excluir Jair Bolsonaro (PL) do jogo político. Agora, decisões barram até o uso de sua imagem por candidatos nas eleições.

O esforço para apagar o ex-presidente de santinhos, banners e propagandas do PL reforçou nos últimos dias o debate sobre direitos políticos. A questão é até onde punições a Bolsonaro podem continuar se estendendo, ao ponto de tolher a liberdade de expressão de outros, inclusive aliados e parentes.

A controvérsia ganhou força com uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra materiais de Lucas Bove (PL), candidato a deputado estadual em São Paulo. A ministra Estela Aranha decidiu que a imagem de Bolsonaro, usada como apoio eleitoral, contraria restrição imposta pelo STF ao ex-presidente.

VEJA TAMBÉM:

Foto de Bolsonaro pode ser usada em campanha? Entenda a disputa na Justiça Eleitoral

Michelle converte retrato do marido em protesto contra restrição eleitoral

A cena da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) cobrindo o rosto do marido no retrato que abraçava ilustra bem a polêmica. Candidata ao Senado, ela reagiu em vídeo à suspensão de sua propaganda pelo TRE-DF, expedida após representação apresentada pela adversária Erika Kokay (PT).

A decisão acabou sendo revogada em 22 de setembro, após recurso de Michelle e parecer favorável do Ministério Público Eleitoral (MPE). Mas o episódio evidenciou dúvidas sobre o alcance de restrições e a diferença jurídica entre eventual manifestação política de Bolsonaro e o simples uso de sua foto.

O presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) também protestou contra as restrições ao exibir um retrato de Jair durante ato de campanha no Maranhão nesta terça-feira (22). Ele reagiu à apreensão, em Teresópolis (RJ), por fiscais do TRE-RJ, de um quadro de Jair exibido pelo candidato a deputado federal Rafael Satiê (PL), sob alegação de propaganda irregular. O parlamentar questionou a base legal da medida, argumentando que o ex-presidente não disputa eleições.

Da inteligência artificial aos santinhos, imagem provoca disputas judiciais

As decisões polêmicas contra o uso da imagem de Bolsonaro não seguiram uma interpretação uniforme. O TSE rejeitou o pedido de multa contra Flávio por vídeo criado com inteligência artificial que emulava o apoio do pai. Em outro processo, uma decisão liminar apagou a foto do ex-presidente em santinhos de Bove.

De toda forma, especialistas apontam a falta de isonomia nos casos de Jair Bolsonaro e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Quando esteve preso, o petista deu entrevistas na prisão e entrou no debate político, inclusive em reuniões de campanha. Os fatos sugerem haver parcialidade no trato do mesmo tema.

Em paralelo, a propaganda do PT explora a rejeição ao ex-presidente, visto ainda como rival de Lula, ao apresentar Flávio como “o pior dos Bolsonaro”. O discurso confronta a tentativa do PL de mostrar seu candidato à Presidência como “versão renovada” de Jair, evocando legado e ampliando o eleitorado.

História registra tentativas de apagar adversários da memória pública

O apagamento de adversários em fotografias oficiais tornou-se uma prática conhecida do stalinismo. Leon Trotsky e outros dirigentes soviéticos foram tirados de registros históricos. A comparação com a situação do Brasil atual tem óbvios limites, mas ajuda a entender o significado político das imagens.

Em democracias consolidadas, inelegibilidade e suspensão de direitos políticos não significam necessariamente o banimento da imagem de um líder da propaganda de terceiros. O imbróglio tratado pela Justiça Eleitoral brasileira envolve a extensão de ordem judicial a participantes da eleição.

A sucessão de episódios revela a centralidade de Jair Bolsonaro na campanha do PL e o receio de adversários com a persistente influência, mesmo após o silêncio total imposto desde 2025. A escolha de Flávio para representá-lo nas urnas pode ter sido o meio para não sumir enquanto persistem as restrições judiciais.

VEJA TAMBÉM:

Mendonça enfrenta Moraes, critica "arapongagem" e pede acesso integral ao inquérito das fake news

Bolsonaro segue como eleitor número 1 do país mesmo após 10 meses incomunicável

Prisão de Bolsonaro marca seis anos de reveses impostos pelo STF à direita

Jornalista de política e economia com foco na cobertura do Congresso Nacional. Passou pelos jornais Diário do Comércio (MG), Gazeta Mercantil, Estado de Minas, Brasil Econômico, Correio Braziliense e A Tarde (BA). **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo.

Deixe sua opinião

Encontrou algo errado na matéria?

Comunique erros

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Principais Manchetes

Lula mira bets em busca de votos, mas arrisca deixar conta bilionária para o contribuinte

TRE-PR manda Deltan Dallagnol desativar Instagram ou remover propaganda

Senadores, deputados, ministros: cerca de 40 autoridades têm sigilos protegidos no caso Master

Censuras da Justiça Eleitoral à imagem de Jair Bolsonaro ferem a liberdade de expressão

Tudo sobre:

Censura

Eleições

Eleições 2026

Flávio Bolsonaro

História

Jair Bolsonaro

Justiça

Liberdade de Expressão

Lula

Manifestações

Michelle Bolsonaro

Partido dos Trabalhadores (PT)

Partido Liberal (PL)

Redes Sociais

STF

TSE

Receba nossas notícias NO CELULAR

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.

Fonte: Gazeta Política

DestaquesNo ZUG!

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Ipatinga
nuvens dispersas
28 ° C
28 °
28 °
57%
3.1m/s
40%
qui
31 °
sex
27 °
sáb
32 °
dom
30 °
seg
29 °