NacionalAnvisa suspende testes de nova terapia da Novartis após morte de pacientes

Anvisa suspende testes de nova terapia da Novartis após morte de pacientes

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Por Guilherme Grandi

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16/09/2026 às 09:53

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu três estudos clínicos da farmacêutica Novartis que testavam uma nova terapia para doenças autoimunes graves. A decisão ocorreu depois que três pacientes morreram durante os testes, levando a autarquia a determinar a interrupção dos estudos por razões de segurança.

O tratamento, chamado rapcabtagene autoleucel, ou YTB323, é uma terapia experimental que utiliza células do próprio paciente para tentar controlar doenças provocadas pelo funcionamento inadequado do sistema imunológico. A proposta é retirar células de defesa do organismo, modificá-las em laboratório e depois devolvê-las ao paciente para que atuem de uma maneira diferente.

Apesar de decidir pela suspensão dos estudos, a Anvisa afirmou que as mortes não foram de pacientes brasileiros, e que os 19 no país participantes “permanecem sob acompanhamento contínuo” da Novartis.

A Gazeta do Povo procurou a Novartis para se pronunciar sobre a ordem da Anvisa e aguarda retorno.

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Essa tecnologia testada pela farmacêutica é conhecida como CAR-T e já é utilizada contra alguns tipos de câncer no sangue. A Novartis testa agora uma aplicação diferente, com a intenção de verificar se as células modificadas podem “reiniciar” parte do sistema imunológico e ajudar pacientes com doenças autoimunes graves que não respondem adequadamente aos tratamentos existentes.

Os três estudos já tinham sido colocados em pausa pela própria Novartis no início deste mês, quando a empresa suspendeu temporariamente o recrutamento e o tratamento de pacientes. A medida foi tomada após a morte de três participantes, enquanto os casos eram analisados dentro de uma investigação de segurança dos ensaios.

Segundo a Novartis, os pacientes apresentaram reações graves associadas à chamada síndrome hemofagocítica relacionada às células efetoras imunes, conhecida pela sigla IEC-HS. A empresa afirmou que a condição é um efeito colateral conhecido das terapias com células CAR-T e pode causar complicações potencialmente fatais.

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A resolução publicada pela Anvisa não informa quais ocorrências específicas motivaram a suspensão nem apresenta uma conclusão sobre a relação entre o tratamento e as mortes. O documento determina apenas a interrupção dos estudos como medida de segurança prevista nas regras para pesquisas com terapias celulares avançadas.

“A suspensão de uma pesquisa clínica é uma medida regulatória cautelar, temporária, normalmente reversível, destinada a interromper o ensaio ou parte dele para proteger os participantes, investigar fatos ou corrigir rotas e não conformidades.  Como foram observadas toxicidades semelhantes em diferentes estudos e ainda não foi identificada uma causa única que explique o conjunto dos eventos, a suspensão foi ampliada, por precaução, pela própria Novartis”, completou a Anvisa.

Doenças alvos da terapia

Os três estudos suspensos testavam o tratamento em pacientes com doenças autoimunes diferentes:

Granulomatose com poliangeíte e poliangeíte microscópica: doenças graves que provocam inflamações nos vasos sanguíneos e podem atingir diferentes órgãos;

Lúpus e nefrite lúpica: doenças nas quais o sistema imunológico passa a atacar o próprio organismo, podendo causar danos aos rins;

Esclerose sistêmica: doença que provoca alterações no sistema imunológico e pode causar endurecimento e comprometimento da pele e de outros órgãos.

Em todos os casos, o objetivo dos pesquisadores é avaliar se a terapia consegue controlar doenças graves em pacientes que não tiveram resposta satisfatória aos tratamentos convencionais. Por enquanto, porém, o uso dessa tecnologia contra doenças autoimunes permanece restrito ao campo das pesquisas.

Retomada dos testes

A Anvisa informou, ainda, que a retomada dos estudos clínicos é possível, mas não ocorrerá automaticamente e dependerá da conclusão das investigações sobre os quadros mais graves e as mortes, e a apresentação de dados que demonstrem que a relação benefício-risco é favorável à continuidade das pesquisas.

“A retomada somente poderá ocorrer após manifestação favorável do comitê independente de monitoramento e a aprovação prévia da Anvisa e das instâncias éticas competentes”, pontuou a autarquia.

Ainda entre as sanções determinadas pela Anvisa está o encaminhamento de um ofício às demais empresas responsáveis por ensaios clínicos aprovados no Brasil que utilizam outros produtos à base de células CAR-T para o tratamento de doenças autoimunes. No documento, a agência alertou para a necessidade de realização de uma avaliação atualizada da segurança dos respectivos programas clínicos.

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Fonte: Gazeta Brasil

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