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Aliado de Maduro se declara culpado e aceita colaborar com investigações da Justiça dos EUA

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Por John Lucas

Por John Lucas

15/09/2026 às 18:49

15/09/2026 às 18:49

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Alex Saab, empresário colombiano apontado durante anos pelas autoridades americanas como testa de ferro de Nicolás Maduro, declarou-se culpado nesta terça-feira (15) de conspiração para lavagem de dinheiro perante o tribunal federal de Miami e fechou um acordo para colaborar com investigações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Como parte do acordo, Saab aceitou entregar US$ 195 milhões (cerca de R$ 1 bilhão, na cotação mais recente) considerados pelas autoridades americanas como produto do esquema de corrupção do qual ele integrava. Ele também se comprometeu a fornecer informações e colaborar com investigações federais ainda em andamento nos EUA. Os documentos judiciais divulgados até agora não especificam quais investigações poderão receber a ajuda do empresário.

Segundo a imprensa americana, a cooperação pode alcançar integrantes de alto escalão do regime venezuelano e as relações do chavismo. Documentos apresentados como parte da confissão de Saab afirmam que o esquema de corrupção do qual fez parte contou com a aprovação, participação e proteção de algumas das autoridades de mais alto nível do regime da Venezuela. Parte delas não foi identificada nominalmente pelos promotores.

Saab admitiu participação em um esquema de corrupção relacionado a contratos públicos destinados à importação de alimentos e medicamentos para a Venezuela. Segundo os investigadores americanos, empresas controladas pelo empresário conseguiram contratos ligados ao programa de alimentação CLAP e desviaram recursos por meio de empresas de fachada, documentos falsos e pagamento de propinas a funcionários públicos.

A investigação americana afirma que pelo menos US$ 195 milhões foram retirados de seis contratos controlados por Saab. O esquema teria utilizado ainda o sistema financeiro dos Estados Unidos para movimentar parte do dinheiro e, posteriormente, se expandido para operações relacionadas à estatal petrolífera venezuelana PDVSA.

Até julho, Saab se declarava inocente. Ele mudou formalmente sua posição nesta terça diante da juíza federal Kathleen Williams, responsável por seu caso nos EUA. O crime pelo qual admitiu culpa pode resultar em até 20 anos de prisão, mas os promotores concordaram em recomendar uma pena na parte inferior da faixa prevista e poderão pedir novas reduções caso sua cooperação seja considerada relevante.

A agência Associated Press (AP) afirmou que Saab poderá se tornar uma testemunha importante em investigações envolvendo integrantes do regime. Saab se tornou um dos principais operadores financeiros de Maduro durante os anos em que sanções internacionais dificultaram o acesso do regime venezuelano ao sistema financeiro internacional. Autoridades americanas o descreviam como responsável por ajudar Caracas a movimentar recursos provenientes de contratos públicos, petróleo e outras operações no exterior.

O empresário já havia sido preso em Cabo Verde em 2020 e extraditado aos Estados Unidos no ano seguinte para responder a outro processo de lavagem de dinheiro. Em dezembro de 2023, o então presidente democrata Joe Biden concedeu clemência a Saab e o enviou de volta à Venezuela como parte de um acordo que garantiu a libertação de americanos presos pelo regime de Maduro.

Neste ano, Saab voltou a ser levado aos Estados Unidos para responder a uma nova acusação, referente a fatos que não estavam abrangidos pela clemência concedida por Biden.

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Fonte: Gazeta Mundo

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