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Alexandre Garcia
Por Camila Abrão
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02/09/2026 às 00:07
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A Polícia Federal encontrou no celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, vestígios digitais que permitiram identificar o envio de mensagens ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O iPhone 17 Pro de Vorcaro foi apreendido pela PF em novembro do ano passado, quando ele foi preso pela primeira vez.
O conteúdo da análise pericial do aparelho foi tornado público nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça. Segundo os peritos, Vorcaro adotava uma espécie de dupla blindagem para dificultar a recuperação das conversas.
Ele escrevia os textos no aplicativo “Notas”, fazia uma captura de tela e enviava a imagem pelo WhatsApp com a função de visualização única. Além disso, o contato usado para a comunicação estava configurado para apagar automaticamente as mensagens após 24 horas. A estratégia, contudo, deixou rastros no próprio iPhone.
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Os peritos utilizaram o software israelense Cellebrite Reader para acessar o aparelho e identificaram que o sistema iOS gera automaticamente um arquivo em PDF quando o usuário faz uma captura de tela de um texto no aplicativo “Notas”. O documento reproduz o conteúdo exibido na tela e recebe um carimbo de data e hora correspondente ao momento da captura.
Mesmo que a nota original seja apagada e a imagem enviada pelo WhatsApp seja configurada para visualização única, o PDF pode permanecer armazenado temporariamente na memória física do aparelho como vestígio da operação.
A PF organizou os arquivos extraídos com com o Indexador e Processador de Evidências Digitais (IPED), software forense criado pela própria corporação. Foi dessa forma que os agentes recuperaram a íntegra dos textos redigidos por Vorcaro.
A existência dos textos, porém, não seria suficiente para provar que eles haviam sido enviados a Moraes. Para estabelecer essa ligação, a PF cruzou os arquivos recuperados com registros de atividade do próprio aparelho.
Os peritos analisaram os “Logs” do sistema, que registram eventos do sistema operacional, incluindo o momento em que uma mensagem é enviada pelo WhatsApp, e o banco de dados de “Uso de Aplicativos”, que registra os períodos de abertura e fechamento dos aplicativos e as capturas de tela realizadas.
A análise revelou uma sequência temporal que se repetia nas comunicações e ocorria em poucos segundos: Vorcaro abria o aplicativo “Notas”, editava o texto, fazia uma captura de tela, gerava o PDF automaticamente e, logo depois, fechava o aplicativo e abria o WhatsApp.
Na sequência, os registros apontavam a transmissão de um pacote de dados para o terminal associado ao número que estava salvo no aparelho de Vorcaro como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. Depois do envio, o WhatsApp era fechado.
Segundo a perícia, o intervalo entre a redação do texto e o envio da mensagem variava, em média, de 11 a 35 segundos. Ao todo, a Polícia Federal identificou 52 notas que seguiram esse mesmo padrão técnico.
“Essa sequência ininterrupta de ações estabelece correlação entre a geração da imagem e o seu posterior envio a interlocutor específico”, afirmou a PF no relatório.
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Fonte: Gazeta Política


