Introdução
Há cinco anos, em 15 de agosto de 2021, os talibãs ocupavam a capital afegã enquanto os americanos retiravam suas tropas, marcando o fim da guerra mais longa já travada pelos Estados Unidos. Desde então, o regime de Cabul confirmou a aposta que fizera contra seus inimigos durante duas décadas de conflito.
A Paz Imposta pelo Talibã
O país foi pacificado pela força e pelo cansaço. A bandeira preta e branca do Talibã voa em praças, campos de trigo e checkpoints remotos. Nas cidades que um dia ecoaram atentados suicidas, o clima é de calma. Segundo a The Economist, o regime sufocou a província de Khorasan do Estado Islâmico, e a Al-Qaeda encolheu no país.
Segurança e Conflito
A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama) reconheceu a redução do conflito em grande escala — uma paz de ausência de guerra civil, não de segurança de direitos. O Uppsala Conflict Data Program (UCDP) classifica o país em paz desde 2022.
Economia e Desenvolvimento
A ordem que o regime vende tem um custo. O governo arrecada cerca de US$ 4 bilhões por ano em impostos e outras receitas, quase 60% a mais que em 2020, segundo o Banco Mundial — ganho obtido com tarifas mais altas e menos corrupção. A economia cresceu impulsionada pela demanda interna e pelo retorno de afegãos — sem tradução em melhoria de vida.
Desafios Sociais
As Nações Unidas calculam que 21,9 milhões de pessoas — cerca de 45% da população — precisarão de assistência em 2026; mais de 3,7 milhões de crianças sofrem de desnutrição aguda. O retorno forçado de cerca de 6 milhões de afegãos, muitos sem recursos, vindos do Paquistão e do Irã, aprofunda a crise.
Negociações com o Ocidente
O isolamento do Talibã começou a rachar em 2023, quando o chefe da missão britânica para o Afeganistão, Robert Chatterton Dickson, e seu colega alemão, Rolf Dieter Reinhard, baseados em Doha, passaram a viajar com frequência a Cabul. Em 23 de junho de 2026, altos funcionários talibãs viajaram a Bruxelas para negociar com representantes de cerca de 15 países da União Europeia a volta de afegãos com asilo rejeitado.
Posição da ONU
A ONU também defende um diálogo mais profundo — mas alguns de seus funcionários, sob anonimato, dizem que as razões agora têm mais a ver com o interesse público. Em público, porém, o tom é outro. Na segunda-feira (10), a Unama saudou a melhora da segurança e a redução do conflito nos últimos cinco anos e pediu à comunidade internacional que mantenha o compromisso com o país.
Fonte: Gazeta Economia


