Santa Catarina pode perder 41% da malha ferroviária
Santa Catarina pode perder 41% da malha ferroviária hoje concedida caso o modelo de fatiamento proposto pelo governo federal para a Malha Sul seja mantido. O alerta foi feito por representantes do estado e da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) na última sexta-feira (31), em Florianópolis, durante audiência pública que reuniu Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Ministério dos Transportes e lideranças do Sul do país contrárias à divisão da ferrovia em três concessões independentes.
Audiência pública em Florianópolis
A audiência em terras catarinenses encerrou o ciclo presencial da Audiência Pública nº 11/2026, que teve sessões em Brasília, Curitiba e Porto Alegre, e integra a consulta sobre o projeto que vai substituir, a partir de 2027, o contrato da Rumo Malha Sul. A proposta federal, estruturada pela Infra S.A., prevê a reconfiguração da rede em três corredores: Paraná–Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul.
Corredores propostos
Segundo o governo federal, o modelo atual de bloco único favoreceu o sucateamento e o abandono de linhas, e a divisão em lotes seria uma forma de tornar as concessões mais equilibradas e atrativas ao mercado. No entanto, para representantes dos estados do Sul, a segmentação separa trechos lucrativos e deficitários, ameaça deixar regiões inteiras sem investidores interessados e enfraquece a integração ferroviária necessária à competitividade da economia da região.
Críticas ao fatiamento
Representantes do estado e da Fiesc apontaram que apenas cerca de 17% da malha ferroviária catarinense está em operação, concentrada principalmente entre Mafra e o Porto de São Francisco do Sul, e alertaram para o risco de redução de cerca de 41% da extensão da malha concedida caso o modelo seja mantido como está.
Diagnóstico preocupante
Os trechos sem previsão clara de recuperação incluem o eixo Mafra–Lages, parte do chamado Tronco Sul, e não há, na proposta atual, garantia de conexão ferroviária com portos estratégicos como Itapoá, Imbituba, Itajaí e Navegantes, o que mantém a dependência do transporte rodoviário por corredores já saturados, como as rodovias BRs 101, 116, 163, 280, 282 e 470.
Pedido de corredor próprio
O procurador-geral do estado, Marcelo Mendes, pediu que seja criado um corredor próprio para Santa Catarina, capaz de atender as necessidades econômicas e regionais do estado, em vez de diluir a rede ferroviária do estado entre o lote Paraná–Santa Catarina e trechos internos de baixa viabilidade.
Reivindicação do governo de SC
O secretário-adjunto de Portos, Aeroportos e Ferrovias de Santa Catarina, Ivan Amaral, reforçou a crítica, dizendo que a concessão feita na década de 1990 já foi mal desenhada e que o atual modelo corre o risco de ser pior.
Estudos alternativos e disputa na Justiça
A audiência de Florianópolis acontece em meio a uma mobilização técnica e política coordenada pelo Codesul, bloco que reúne Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. Em parceria com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), o conselho lançou edital para contratar consultoria especializada e elaborar estudos sobre uma “Malha Sul Ampliada”, com foco em modernização, integração regional e recuperação de trechos sucateados.
Posição da ANTT
No contraponto, a ANTT e o Ministério dos Transportes reafirmaram, em notas e na própria audiência, que o processo de audiências públicas é voltado à participação social e que todas as contribuições recebidas, tanto nas sessões presenciais quanto pela plataforma “ParticipANTT”, serão analisadas antes da conclusão dos estudos.
Fonte: Gazeta Brasil


