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Romário não descarta apoiar Lula após saída do PL

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Por Fábio Pereira, especial para a Gazeta do Povo

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24/08/2026 às 17:15

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Defensor da reeleição do então presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022, quando fez críticas ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Romário não descarta apoiar Lula na eleição presidencial deste ano. No último dia 14, ele anunciou a saída do PL, ao qual estava filiado desde abril de 2021, e o apoio a Eduardo Paes (PSD) para governador do Rio de Janeiro. Nessa disputa, o principal adversário de Paes é justamente o candidato do PL, Douglas Ruas.

Ao ser questionado pela Gazeta do Povo sobre quem vai apoiar na eleição presidencial, Romário afirmou, por meio de sua assessoria, que "ainda não definiu como é que vai ser o apoio nacional, não sabe como vai ser, porque a prioridade é a eleição estadual". Romário disse que, por enquanto, vai permanecer sem partido.

Após a publicação da matéria, a assessoria do senador informou que ele já declarou voto em Flávio Bolsonaro, mas que "apoiar durante a campanha ainda não está definido".

Em maio, Romário ganhou elogios de Lula: "É um gênio […] Não quero saber em que partido ele está. Eu gosto dele pela irreverência dele e como o jogador de futebol que ele foi", disse o presidente no programa Sem Censura, da TV Brasil.

Embora só tenha deixado o PL agora, as discordâncias de Romário com as escolhas de Bolsonaro e do partido se acumulam há quatro anos. Na mesma eleição em que defendeu a reeleição de Jair, em 2022, o ex-atleta não foi correspondido: o então presidente apoiou no Rio de Janeiro outro candidato ao Senado, o ex-deputado federal Daniel Silveira, à época no PTB.

Silveira era um apoiador de Bolsonaro de longa data e já havia sido beneficiado por uma graça concedida pelo então presidente para tentar evitar sua prisão. O então deputado federal foi condenado a oito anos de prisão por confrontar ministros do Supremo Tribunal Federal em vídeos divulgados nas redes sociais, e Bolsonaro tentou um perdão oficial, que acabou proibido pela Justiça. Em 2022, mesmo correndo o risco de ter sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral, o que afinal ocorreu, Silveira foi o candidato de Bolsonaro – naquele ano só havia uma vaga em disputa no Senado.

Mesmo assim, Romário acabou eleito com 2.384.331 votos. Silveira obteve 1.566.352 votos, que foram anulados pela Justiça Eleitoral. Na disputa pela presidência, Bolsonaro perdeu de Lula.

Por outro lado, o senador passou a atuar nem sempre em alinhamento com o PL. Em 2023, Romário votou contra uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limitava os poderes dos ministros do STF, medida sempre defendida pela família Bolsonaro.

Em 2024, apoiou Eduardo Paes (PSD) para prefeito do Rio e Rodrigo Neves (PDT) para prefeito de Niterói, enquanto os candidatos de seu partido eram Alexandre Ramagem e Carlos Jordy, respectivamente. Apesar da decisão, ele não sofreu retaliação do PL. Há dois meses, o senador se declarou a favor do fim da escala de trabalho 6×1, uma das propostas mais populares do governo Lula.

Além das divergências passadas, Romário se antecipa a uma eventual disputa futura ao sair do PL. Se Flávio Bolsonaro não for eleito presidente em 2026, existe a possibilidade de que ele volte a disputar uma vaga no Senado em 2030, e, nesse caso, teria a concorrência de Romário. No PL, a vaga de candidato seria do atual presidenciável.

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Trocas de partido marcam trajetória de Romário

A carreira política de Romário é marcada por idas e vindas ideológicas. Em 2001, ele se filiou ao então PPB, que em 2003 se tornaria PP, partido cujo principal expoente à época era Paulo Maluf. Ficou no partido até 2009, quando se transferiu para o PSB, partido de esquerda pelo qual disputou sua primeira eleição – em 2010, foi eleito deputado federal com a sexta maior votação do estado do Rio: 146.859 votos. Naquela eleição, Jair Bolsonaro, então no PP, foi o 11º deputado federal mais votado do Rio, com 120.646 votos.

Em 2014, Romário disputou vaga no Senado representando a coligação que tinha o PT, o PV e o PCdoB, além do PSB, seu partido na época. Obteve 4.683.963 votos e ficou com a única vaga em disputa, superando o experiente Cesar Maia, segundo mais votado, com 1.514.727 votos.

Em 2016, ainda no PSB, Romário cogitou ser candidato a prefeito do Rio, mas desistiu e anunciou apoio a Marcelo Crivella (então no PRB, hoje Republicanos), que acabou eleito. O partido de Romário apoiou o candidato Índio da Costa (PSD), mas não puniu Romário por não seguir a orientação.

Em 2017, o senador trocou o PSB pelo Podemos, partido pelo qual um ano depois Romário disputou o governo do Rio. Pela primeira vez perdeu uma eleição, ficando em quarto lugar com 664.511 votos. Wilson Witzel (PSC) foi eleito, recebendo 3.154.771 votos no primeiro turno e 4.675.355 no segundo.

De volta ao cargo de senador, o ex-atleta saiu do Podemos em março de 2021 e um mês depois ingressou no PL – Bolsonaro só entraria no partido em novembro daquele ano. Reelegeu-se senador em 2022 e agora está novamente sem partido. O atual mandato de Romário segue até 31 de janeiro de 2031.

Sem se licenciar do Senado, Romário trabalhou na Copa do Mundo

Embora tenha se aposentado dos gramados há 18 anos, Romário tem falado mais sobre futebol do que sobre política nos últimos anos. Durante a Copa do Mundo, ele esteve nos Estados Unidos trabalhando como comentarista da Cazé TV e participando de diversos eventos.

Após ser alvo de críticas por não ter pedido licença do cargo de senador para viajar para fora do país, o parlamentar afirmou que não fez isso para poder participar das votações à distância, especialmente caso fosse votada a PEC pelo fim da jornada 6×1. Em ofício à presidência do Senado, Romário anunciou que devolverá os vencimentos recebidos entre 11 de junho e 19 de julho, período em que permaneceu nos Estados Unidos.

No dia 18, a Gazeta do Povo perguntou ao senador se o dinheiro já foi devolvido, e sua assessoria afirmou que "ele não vai divulgar isso, porque já deu uma confusão na Justiça, então ele prefere manter isso em sigilo".

Romário também ficou 121 dias em licença não remunerada entre dezembro de 2025 e abril de 2026, afastamento que foi previamente combinado com seu então partido, o PL. "Desde o início do mandato ficou definido que o meu suplente, Bruno Bonetti (PL-RJ), também teria a oportunidade de representar o Rio de Janeiro no Senado, e este será o momento. Durante este período estarei no Rio de Janeiro, ouvindo as pessoas, visitando cidades e fortalecendo o trabalho que realizo pelo meu estado", afirmou Romário em nota, ao anunciar o período de afastamento.

Alternando apoio a grupos políticos opostos, o Baixinho tenta se validar pela sinceridade e pela "marra" que sempre caracterizaram sua personalidade. Sem se envolver em casos de corrupção, construiu uma trajetória política marcada pela pouca fidelidade a partidos e correntes ideológicas, driblando alianças conforme as circunstâncias políticas.

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Fonte: Gazeta Política

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