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Renan Santos propõe “Direito Penal do Inimigo” para facções e “bukelização” do Brasil 

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Por Aiuri Rebello

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Especial para a Gazeta do Povo

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17/08/2026 às 16:35

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De longe um dos candidatos com algumas das propostas mais polêmicas nas eleições presidenciais deste ano, o novato Renan Santos, do partido estreante em eleições Missão — recém-criado a partir do MBL (Movimento Brasil Livre) — também foi o primeiro a apresentar oficialmente seu plano de governo e solicitar o registro da candidatura ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O documento, denominado “Livro Amarelo”, é dividido em três partes principais: “estado novo”, “reformas de base” e “país do futuro”. Na área da segurança pública e combate à violência o plano de governo do candidato Renan Santos propõe aumentar o rigor de penas, confiscar bens de criminosos e federalizar casos relacionados a facções criminosas.

Também prevê realizar intervenção federal em estados com controle territorial de facções, além de tratar o combate ao narcotráfico como uma questão de segurança nacional. “Desde o primeiro dia do governo, estaremos em campanha contra o crime organizado, utilizando os mecanismos da GLO [Garantia da Lei e da Ordem] e do Estado de Defesa para romper o controle territorial das facções”, afirma o “Livro Amarelo” do candidato do Missão. 

Renan defende a adoção do “Direito Penal do Inimigo” (DPI) como fundamento jurídico amplo para combater as facções criminosas. A doutrina serviria de arcabouço legal para poder endurecer penas e medidas contra organizações criminosas. 

Segundo o documento, a implementação do DPI no Brasil se daria por sucessivos decretos de Estado de Defesa em áreas sob comando de facções para a realização de "operações de retomada territorial", que seriam amparadas por uma Lei Antifacção.

Assim como no caso de outras propostas de outros candidatos, diversas das medidas listadas no plano de governo de Renan Santos precisariam ser aprovadas no Congresso e exigiriam alterações na Constituição. Não há detalhamento de como implementar as ideias, seus custos e prazos estimados.

Conheça as principais propostas para a segurança pública no plano de governo de Renan Santos, candidato do Missão

“Prendeu, matou”

"Naturalmente, não consiste em prender e matar os criminosos, mas simplesmente em permitir que as forças de segurança tratem como inimigos aqueles que ameaçam a segurança dos cidadãos e a soberania do Estado Brasileiro”, afirma o “Livro Amarelo”, após listar as condições que teriam sido necessárias para a criação do "lema popular”.

“Policiais devem capturar todos os líderes desses grupos anômalos e, quando houver perigo ou resistência, neutralizá-los da maneira mais eficiente”, afirma o documento protocolado pelo Missão.

Direito Penal do Inimigo (DPI)

Essa doutrina, formulada pelo jurista alemão Günter Jakobs, distingue entre dois regimes penais: o direito penal do cidadão, que preserva garantias plenas, e o direito penal do inimigo, que aplica medidas preventivas e penas desproporcionais àqueles que demonstram não aceitar o pacto social mediante participação duradoura em organizações criminosas.

Estado de Defesa em áreas sob comando das facções

De acordo com o “Livro Amarelo” de Renan Santos, "a implementação prática do DPI no Brasil se daria por sucessivos decretos de Estado de Defesa em áreas sob comando das facções para realização de operações de retomada territorial, que seriam em seguida amparadas por uma nova Lei Antifacção. Uma lei contra facções criminosas foi aprovada no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Lula. Entrou em vigor em março de 2026.

Nova Lei Antifacção

Entre seus pontos, este novo texto preveria, de acordo com o plano de governo do Missão:

poder da polícia de peticionar o banimento judicial de organizações criminosas mediante dossiês comprobatórios;

proibição de símbolos e atuação coordenada de membros dessas organizações;

dissolução de entidades públicas ou privadas infiltradas pelo crime organizado;

retirada de direitos políticos, civis e a restrição de liberdade de locomoção para indivíduos comprovadamente associados às facções classificadas;

concentração de competência em tribunais especializados com magistrados selecionados por critérios técnicos rigorosos e dotados de proteção especial;

inversão do ônus da prova no confisco de bens, presumindo ilicitude até comprovação contrária por membros de facções;

federalização de todos os casos relacionados a facções criminosas.

Superpresídios de segurança máxima em regiões remotas

"As lideranças condenadas serão deslocadas a superpresídios de segurança máxima em regiões remotas, no modelo do Cecot [Centro de Confinamento do Terrorismo] salvadorenho, equipados com blindagem eletromagnética e biometria contínua, neutralizando o comando das facções a partir do cárcere", diz trecho do plano de governo de Renan Santos para a segurança pública.

Retomada de fronteiras, portos, aeroportos e do espaço amazônico

"Vamos reconquistar o controle estatal sobre portos, aeroportos e fronteiras secas com scanners tridimensionais e inteligência integrada; implementar sistemas de monitoramento aéreo, espacial e amazônico”, afirma o candidato do Missão em seu plano de governo.

Asfixia financeira do crime organizado

"Apertar os mecanismos de asfixia financeira que cortam o oxigênio econômico das facções”, diz apenas genericamente sobre o tema o plano de governo de Renan Santos.

Drones, totens e reconhecimento facial contra o crime nas cidades

"Contra a criminalidade urbana cotidiana, vamos utilizar mudanças penais e implementação de tecnologia de ponta”, afirma o candidato no seu “Livro Amarelo".

"Um novo sistema de drones e totens de denúncia transformará a reação ao crime em prevenção, com patrulhamento autônomo e reconhecimento facial em tempo real, integrado ao uso de dados genéticos e identificação facial para a resolução de crimes hediondos. Leis específicas deverão endereçar a reincidência e os roubos de eletrônicos, aumentando penas e criando efeitos dissuasivos para os crimes que mais aterrorizam o brasileiro comum.”

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Fonte: Gazeta Brasil

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